DIVIDIR PARA REINAR

As centenas de milhares de mortes ocorridas recentemente como consequência da “guerra ao terrorismo” fazem parte de um frio e calculado plano para um Estado tirânico global, onde o povo não será mais do que uma massa amorfa e sem vontade, com microchips implantados (superando o visionário G. Orwell), ao serviço de uma elite diabólica e enlouquecida.

Dividir para reinar é, obviamente, a base estratégica dos Senhores das Trevas para controlar a massa humana a todos os níveis. Eles actuam a partir de todas as raças e povos em simultâneo, lançando, através de técnicas de subversão que se alimentam da mentira e da corrupção, esses mesmos povos uns contra os outros. Eles também operam através de todas as religiões organizadas, partidos políticos, etc. A técnica é sempre a mesma: mantêm-nos divididos para que possam ser controlados. Isto aplica-se, inclusive, a grupos e pessoas que, de uma ou de outra forma, se opõem (ou fingem opor-se) mediante campanhas contra a globalização[1] e outros itens da “agenda” da Nova Ordem Mundial. São estes: aditivos na alimentação; alimentos geneticamente alterados; químicos perigosos para a saúde e o meio ambiente na agricultura; flúor na água; radiação das centrais nucleares; perigos da vacinação; pandemias provocadas em laboratório; globalização organizada do tráfico de drogas; esquema manipulador do sistema bancário; dívida e pobreza do Terceiro Mundo; supressão gradual das liberdades individuais; restrição inquisitória da liberdade de pensamento e de expressão, só se permitindo, cada vez mais, o que é “politicamente correcto”, etc., etc.

Se bem que a maioria das pessoas ignore os avisos, cujos sinais são cada vez mais evidentes, existe, contudo, um conjunto de pessoas à volta do mundo que estão a despertar para o que se está a tornar óbvio, comunicando entre si (informação é poder) e criando focos de resistência consciente.

Estamos numa encruzilhada. Os caminhos que tomarmos agora determinarão o futuro da Humanidade: seres humanos livres, em consequência de uma consciencialização massiva ou escravos submissos aos Senhores das Trevas.


A Nova Ordem Mundial alimenta-se de guerras e sofrimento, de descalabros financeiros e crises políticas. Baseia-se no medo das pessoas em relação à liberdade. É uma forma de governo muito mais eficaz do que o terror baseado na força militar, que é mais directo mas expõe o sistema a formas de resistência.

Não depende de Deus livrar-nos da “Nova Idade das Trevas” prevista para nós. Depende de nós. Temos de levar a cabo as acções necessárias. Nunca encontraremos as respostas adequadas se não formos capazes de formular as perguntas apropriadas.

In Eduardo Amarante, “Profecias – da interpretação do Fim do Mundo à vinda do Anticristo”



[1] A globalização visa à implantação de um governo mundial que, sob a máscara do progresso tecnológico e humanitário, tem por objectivo a centralização das estruturas económicas de poder.

A SAGRAÇÃO DO REI


De acordo com a Tradição universal, a humanidade nos seus primórdios foi directamente governada pelos Deuses, seres de uma grande evolução espiritual, que a iniciaram nos mistérios da Natureza por intermédio dos seus representantes mais desenvolvidos no plano de consciência. Entre tantas outras coisas ensinaram como se desenrola o mistério da Criação através do princípio da emanação que procede de uma Fonte única, soberana, e que se manifesta na Natureza sob chave séptupla. Legaram-lhe, assim, o conhecimento do princípio piramidal, séptuplo, pelo qual se rege o Universo. O Estado configura, portanto, uma pirâmide de acordo com a lei de analogia, cujo vértice simboliza o Pontifex, soberano único, intermediário entre o visível e o invisível, o físico e o metafísico, o Céu e a Terra.

Deste modo, sempre que a Tradição se mantém viva, o Estado é uma MONARQUIA-TEOCRÁTICA em que o Rei, ungido de Deus, receptáculo e veículo do divino, assegura na Terra, por analogia com o Alto, a ordem e a prosperidade, quer no plano material como espiritual. O Rei, em latim Rex , é o CENTRO em torno do qual gira a vida nas suas múltiplas expressões. É o “motor oculto” de que procede a corrente de energia vital que chega a todos sem distinção, assegurando a vida e o vigor da sociedade. É o símbolo terrestre do Sol-central, imóvel, à volta do qual gira e evolui toda a vida planetária. “Centro-regulador, o Rei-Sacerdote faz a ligação entre todos os homens do seu país. Toda a gente deve poder reconhecer-se no Rei. É por isso que o Rei integra ao mesmo tempo a função do agricultor, do artesão, do guerreiro e do sacerdote. Todas as camadas da população devem poder ver nele o modelo acabado das suas próprias vias de desenvolvimento. É a faculdade de ser reconhecido como fazendo parte de todas as castas e de possuir todas as qualificações que faz deste homem o CENTRO-TOPO da sociedade.” 

in Eduardo Amarante, “Universo Mágico e Simbólico de Portugal”

A Civilização X: O FIM DA DEMOCRACIA E DA HEGEMONIA AMERICANA


“O capitalismo desaparecerá, mais cedo ou mais tarde”

O historiador Israel Shamir, ao falar sobre o “choque de civilizações”, traça o retrato, a que chama ironicamente “qualidades”, daquela Civilização X, responsável pela tremenda crise social, económica e de valores morais e espirituais que acelerou o fim desta era civilizacional. Eis, então, as “qualidades” desta Civilização X:
• É extraterritorial, não conhece fronteiras e é capaz de expansão interminável, não hesitando para tal em atacar, devorar e escravizar;
• A sua principal ocupação é a usura. Concede empréstimos aos Estados, enreda-os em dívidas impagáveis e arruína-os;
• Considera a solidariedade e a fraternidade humanas como “totalitarismo”;
• Rejeita o Espírito e considera-o “fanatismo e fundamentalismo”;
• De igual modo, detesta o Cristianismo Apostólico e o Islão, mas tudo faz para pôr os Cristãos contra os Muçulmanos e vice-versa;
• Está fortemente envolvida nas drogas. Onde quer que vença, a heroína tem campo aberto;
• Exalta a vingança;
• Tem a alma de um ignóbil patife, no seu sentido estrito de “oposto a nobre”;
• Não produz arte. A ferrugenta Vénus exposta no museu Guggenheim é idêntica a qualquer montão de ferro velho;
• Está obcecada por um medo paranóico. Gasta em armas dez vezes mais dinheiro do que o resto do mundo, mas, ainda assim, quer desarmar toda a gente;
• Despreza o trabalho e os trabalhadores. O cinema produzido pela Civilização X mostra milionários e rameiras, jogadores de casino e corretores, vadios e gansgsters…;
• Ama os ricos, não se importando minimamente de como obtiveram essa riqueza. Acredita que os ricos são virtuosos, pois foram abençoados pela riqueza, enquanto os pobres são maus e danados justamente porque são pobres.

Por exemplo, no Fórum Económico Internacional de S. Petersburgo (2009), a resposta euro-asiática ao Fórum Económico Mundial de Davos (organizado pelos mentores da Nova Ordem Mundial), assistiu-se aos ritos finais da hegemonia Americana no mundo quando o Presidente da Rússia, Medvedev apelou à China, Índia e Rússia para “construírem uma ordem mundial cada vez mais multipolar.” Isto significa que foi atingido o limite no subsídio da imensa dívida Americana, enquanto, por outro lado, também se permite que os EUA se “apropriem das nossas exportações, companhias, acções e imobiliário em troca de papel-dinheiro de valor discutível”, explica Michael Hudson. “O sistema unipolar mantido artificialmente”, esclareceu Medvedev, está baseado “num grande centro de consumo, financiado por um défice crescente e, portanto, dívidas crescentes, uma divisa de reserva anteriormente forte e um sistema dominante de avaliação de activos e riscos.” Concluiu Medvedev que a raiz da crise financeira global é que os EUA fabricam muito pouco e gastam demasiado.

O ponto de impasse com estes países euro-asiáticos é o facto de os EUA ainda terem a capacidade de imprimirem ilimitadas quantias de dólares. Assim, a China, a Rússia e outros países vêem os Estados Unidos como um país fora-da-lei, tanto financeiramente como militarmente. Como se pode caracterizar de outra maneira um país que mantém um conjunto de leis para os outros – sobre a Guerra, o reembolso da dívida –, mas ignora-as em relação a si próprio?! exclamam eles. E ainda por cima os EUA são actualmente o maior devedor do mundo e, não obstante, querem impor as suas prerrogativas ao mundo sem qualquer base moral para o fazerem, tanto mais que evitam a si próprios o sofrimento dos “ajustamentos estruturais” impostos a outras economias devedoras, utilizando dois pesos e duas medidas. Adivinha-se, por conseguinte, que uma era está a chegar ao fim. Como diz Michael Hudson:
“Se a China, a Rússia e os seus aliados não-alinhados prosseguirem o seu caminho, os Estados Unidos já não viverão mais das poupanças dos outros (…) nem terão dinheiro para as suas despesas e aventuras militares ilimitadas.”

Caiu o Império Soviético, mas antes dele caiu o Império Romano e, muito antes, caiu o Império Atlante. Esta Torre de Babel em que hoje nos encontramos, liderada pelos Senhores das Trevas, também irá cair, não obstante tentarem por todos os meios ter o domínio do mundo, ainda que para isso tenham de recorrer à matança dos inocentes.

Em todos os países ocidentais, a “segurança” contra reais ou imaginários ataques terroristas e outros serve actualmente de pretexto para o aumento da repressão e a gradual supressão da liberdade de pensamento e expressão, num tácito recuo sem precedentes da democracia.

Mas tudo isto não é por acaso, uma vez que o fim da democracia, o incremento da repressão e da censura e a instauração de um Estado-Polícia são os ingredientes indispensáveis do liberalismo económico, a fim de prevenir as reacções violentas (revoltas populares, distúrbios, pilhagens…), inevitavelmente causadas pela carência de recursos e de bens essenciais e pelo aumento exponencial de pobres e marginais.

in Eduardo Amarante, "Profecias - da interpretação do Fim do Mundo à vinda do Anticristo", Apeiron Edições

A EMBLEMÁTICA BATALHA DE OURIQUE - DE MILAGRE A PRIMEIRO MITO DE PORTUGAL


Segundo os cronistas antigos, a batalha de Ourique foi a pedra angular da fundação de Portugal como reino independente. Ali os soldados aclamaram rei o jovem príncipe que os conduzira à vitória sobre cinco reis mouros e os exércitos sarracenos de África e de Espanha. 

Foi a mais célebre de todas as histórias de lutas contra os mouros . 
Os momentos que antecederam a batalha são assim relatados por André de Resende: 
“Afonso ocupou a colina onde estava uma antiga ermida em que determinado velho, de proveta idade, vivia entre os mouros como um ermitão e que, devido à pobreza e santidade de vida, por ninguém era provocado injustamente. O quase infindável contingente militar de Ismar enchia todos os campos em redor e já esperançadamente se via a tragar os adversários cercados. Não parecia aos nossos soldados ser decisão avisada combater contra tão grande multidão, pois cada um deles teria de defrontar no combate para cima de cem inimigos, mas o príncipe robusteceu o espírito dos seus soldados por meio de um discurso cheio de esperança e firmeza. Ao mandá-los dispersar ordenou que tratassem de seus corpos e que aguardassem alegremente o dia seguinte que era santificado ao apóstolo Tiago, padroeiro das Hispânias. 

Como tivesse anoitecido, veio aquele anacoreta à presença de Afonso e exortou-o a ter coragem com a revelação de uma profecia. Disse-lhe que à hora da noite em que ouvisse o som de uma sineta que estava na capelinha deveria sair da tenda pois lhe iria aparecer no ar Cristo suspenso da cruz. 

Afonso, contente com uma notícia tão desejada e tão inesperada, velou toda a noite aguardando o prometido. E assim, ao romper da alva e antes do dia, ao sair da sua tenda real quando tinia a sineta, pôde olhar para o Senhor crucificado, suspenso no ar. Arrastado, quase fora de si, pelo prazer desta visão, adorando-o dizia assim: ‘Será verdade, ó Salvador do mundo, que me apareces a mim neste momento? Mas por que razão apareces àquele que em ti crê e que te honra com a maior devoção? Antes te dignasses a aparecer a estes infiéis, ignorantes da tua divindade, inimigos teus e portanto meus, para que compreendam o mistério da tua cruz e deixem de ser insensatos’. 

Quando com estas e outras palavras semelhantes prosseguia, como que em êxtase, foi muito agradavelmente surpreendido pela voz de Cristo que lhe falava e prometia vitória. Logo que a divina aparição se recolheu ao céu, pediu as armas, ordenou que se armassem os soldados, que se formassem as linhas de batalha e que as tubas em uníssono dessem o sinal. 

Alguns dos chefes procuraram-no em nome do exército, dizendo: 
- ‘Os teus homens, valente chefe, pedem que lhes permitas saudar-te como rei’. 
Mas ele respondeu-lhes: 
- ‘Fidelíssimos companheiros de armas! Coube-me a mim, entre vós, o nome e título suficientemente honroso de príncipe. Não ambiciono outro. E ainda que o desejasse muitíssimo ou quisesse aceder ao que pedis, nem o momento nem o local o permitem. Esforçar-me-ei por que não vos desagrade como vosso chefe; esforçai-vos vós para que eu como chefe não tenha a lamentar a perda de soldados’. 

A resposta foi a seguinte: 
- 'Não só prometemos o que pedes como, quanto a nós, não faltaremos ao dever. Mas pelo rei combateríamos com mais ardor, venceríamos com mais honra e morreríamos mais alegremente’. 
Então, depois de quase terem forçado a quem se escusava, foi aclamado por três vezes em altos brados e ao som das tubas, clarins e tambores: 
- ‘Vida e vitória para Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal’! 

(...) Afonso, o novo rei, portanto, ficou nos arraiais durante três dias conforme era hábito dos vencedores, tendo deixado o despojo para os soldados. 
Ele próprio, que até então usava um escudo branco, imaginou insígnias que representassem o combate que ali se passou. Em primeiro lugar, porque no ar olhara para Cristo pregado na cruz, desenhou no escudo de prata uma cruz da cor do céu; depois, porque tinha vencido cinco reis, separou com a própria cruz cinco escudos; em cada um destes representou trinta moedas de prata, porque se considerara que por essa soma fora vendido o Salvador do mundo. 
O desenho das moedas foi modificado por uma questão de comodidade pelos reis que se seguiram e em cada um destes escudos foram colocadas cinco moedas em forma de cruz, aproximadamente com a forma da letra X, de maneira que, contando duas vezes, o que está no meio e como a conta é feita desde cima e de lado a lado, se perfaz o número trinta. 
Foram estas as insígnias que naquele momento e naquele lugar se adoptaram. Quanto aos sete castelos que no campo rubro do escudo régio rodeiam as orlas, relacionam-se com outra história.” 

in Eduardo Amarante, "TEMPLÁRIOS, Vol. 2 - A Génese de Portugal no Plano Peninsular e Europeu"

O PLANO “PROFÉTICO” DO COLAPSO ECONÓMICO


Um dia no distante ano de 1802 um ex-presidente dos Estados Unidos da América, Thomas Jefferson, escreveu ao Secretário das Finanças Albert Gallatin as seguintes palavras proféticas:
“Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para a nossa liberdade do que verdadeiros exércitos. Se o povo americano alguma vez permitir aos bancos privados controlarem a emissão da sua moeda, primeiro através da inflação, e depois através da deflação, então esses bancos, e as empresas que surgirão em seu redor, tomarão posse de todas as propriedades desse povo, até que todas as crianças nasçam sem abrigo, no continente que os seus pais conquistaram. Esse poder de emissão deve ser retirado aos bancos, e devolvido ao povo, seu legítimo proprietário.”
Por seu turno, Karl Marx havia profetizado na sua obra Das Kapital (1867) o seguinte:
“Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-a dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão de ser nacionalizados pelo Estado.”


Os Senhores das Trevas planearam um colapso económico global que os ajudará – crêem eles – a trazer o seu Anticristo ao cenário mundial. Já há muitos anos que eles começaram a planear como construir essa economia virtual e fraudulenta para depois destruí-la, com o objectivo de criar um tal medo e uma tal insegurança nas pessoas que elas aceitem a intervenção “salvífica” do Anticristo disfarçado de Cristo.

As economias ocidentais e as bolsas de valores entrarão em colapso. Este cenário ocorrerá em breve com toda uma planeada sequência de acontecimentos.
O Governo declarará uma “emergência nacional”. Essa declaração invocará todos os poderes de Chefe de Estado. Com esses poderes, o Presidente tornar-se-á um virtual ditador, precursor do futuro tirano. Assume o controlo absoluto de todos os transportes, comunicações, abastecimento e declara a lei marcial. Os povos ocidentais, em particular, entrarão num tão grande pânico – é o que prevêem, segundo estudos de psicologia sobre o comportamento de massas – que aceitarão qualquer plano que, aparentemente, os livre dessa terrível sequência de crises. As pessoas pularão de contentes ao perderem as suas liberdades e a própria forma constitucional de governo se acreditarem que tal perda restaurará a calma e a prosperidade. As pessoas, desesperadas, acreditarão ingenuamente em todas as promessas que o governo lhes fará, entre as quais a de restaurar, logo que a crise passe, as liberdades individuais.

(...) Romper com a escravidão dos juros significa a libertação do trabalho que está subjugado aos tubarões das finanças que dominam o sistema bancário mundial. Até ao momento foram desencadeadas guerras contra todos os que não se submeteram aos ditames da “nova ordem mundial”, em defesa da “liberdade”, da “democracia” e dos “direitos humanos”. Esses países foram “libertados” dos seus líderes por meio de bombas que arrasaram cidades e mataram milhões de seres humanos, muitos deles mulheres e crianças indefesas. Para a inevitável reconstrução foram apoiados com empréstimos a juros elevados pelos mesmos que os destruíram…

Os grandes banqueiros e os magnatas da comunicação envolveram o mundo numa complexa rede de intrigas. Incentivaram as mais fugazes quão desenfreadas paixões, o desejo pelo luxo e a ostentação, o consumismo e a luxúria… levando à falência a moral pública, ao materialismo sem regras nem escrúpulos as classes dirigentes e a uma banalização da vida nacional com a gradual perda de identidade a nível colectivo e individual. Foi esta caldeirada, aliás bem cozinhada, que gerou o terrível colapso.

Os juros, proibidos pelos Templários, pois representam a transferência de bens sem esforço e o enriquecimento sem produção, levaram ao aparecimento das grandes corporações financeiras. O dinheiro, como era entendido pela Ordem do Templo, nada mais deve representar do que um vale para o trabalho executado, como um meio de troca; a sua função termina aí. Ele não pode, ou não deve, crescer, através dos juros, à custa do trabalho produtivo. E é isto que as pessoas devem entender de maneira clara. Logo virá uma sociedade mais justa e mais humana.

in Eduardo Amarante, "Profecias - da interpretação do Fim do Mundo à vinda do Anticristo", Apeiron Edições

TOMAR, A MENTORA DAS VIAGENS OCEÂNICAS


Em 1416, o Infante D. Henrique dividia o seu tempo entre o castelo de Tomar, sede da Ordem, e a vila de Lagos, no Algarve. Em Tomar, administrava as finanças, a diplomacia e a carreira dos pilotos iniciados nos segredos do empreendimento marítimo. Inclusivamente, o castelo era um cofre de recursos e de informações secretas. Por sua vez, Lagos e a Vila do Infante , junto a Sagres, funcionavam como escola e base naval.
Assim, o Infante D. Henrique viveu tanto em Sagres como em Tomar, preparando-se espiritualmente para a grande gesta das Descobertas. Nesta cidade teve início uma das maiores aventuras da humanidade, a fazermos fé no que disse o ilustre historiador Arnold Toynbee:
“Depois de Cristo, o maior acontecimento da História são as Descobertas.”

Essa aventura encontra na mística e no culto do Espírito Santo uma das suas mais fortes razões de ser. Como diz Anselmo Borges:
“Ora, na génese da aventura marítima não estão razões apenas de ordem material. É que, se estas são as mais urgentes, não são as fundamentais. Sem a mística e o culto do Espírito Santo, os Descobrimentos não têm plena inteligibilidade.”

Foi em Tomar que o Infante D. Henrique concebeu e amadureceu a ideia das explorações marítimas. Aí teve início a gesta náutica que levou as caravelas portuguesas “por mares nunca dantes navegados”, ostentando nas suas velas o símbolo da Ordem de Cristo. Como afirma Amorim Rosa:
“Se Sagres foi a mão que lançou ao mar as caravelas das Descobertas, Tomar foi o cérebro que organizou as expedições e o alfobre de onde saíram os primeiros capitães das naus. E a Ordem de Cristo foi a fonte de onde jorrou todo o oiro necessário para alimentar tão grande empresa.”

Em Tomar, o Infante D. Henrique mandou “cada semana, ao sábado, por sempre em minha vida e depois da minha morte dizer uma missa de Santa Maria, e a comemoração seja do Espírito Santo.”

in Eduardo Amarante, "TEMPLÁRIOS, Vol. 3 - A Perseguição e a Política de Sigilo de Portugal: a Missão Marítima"

DOAÇÕES DE D. AFONSO HENRIQUES AOS TEMPLÁRIOS PARA A DEFESA E POVOAMENTO DO TERRITÓRIO PORTUGUÊS

1156, D. Teresa Afonso decidiu entregar o seu mosteiro de Santa Maria das Salzedas aos cistercienses ;
1159, doação de D. Afonso Henriques aos templários do castelo de Ceras, com todos os seus termos, incluindo Tomar; 
1160, doação de várias povoações no centro do país a colonos francos;
1169, doação por parte de D. Afonso Henriques aos templários de 1/3 das terras que conquistassem no Alentejo ;
1172, é entregue à Ordem de Santiago (então estabelecida em Portugal) Arruda, Alcácer, Almada e Palmela (estas três últimas são doadas então à Ordem por D. Sancho I, em 1186); 
1174, mandou edificar o convento de Santa Maria de Aguiar, um dos mais antigos mosteiros da Ordem de Cister, para servir de habitação e ofício aos monges bernardos. Situado na freguesia de Castelo Rodrigo, é um dos mais belos exemplares do românico de transição. Nele viveu o famoso cronista do Reino, o cisterciense Frei Bernardo de Brito, um dos autores da Monarchia Lusitana. 

in Eduardo Amarante, "TEMPLÁRIOS, Vol.2 - A Génese de Portugal no Plano Peninsular e Europeu" 


VEM AÍ UMA NOVA ERA

“Os ideais de progresso material do século passado falharam.
O progresso actualmente está em regressão: fecham-se fábricas, aumenta o número de desempregados, escasseiam a energia e as matérias-primas; as habitações (muitas por estarem com preços inflaccionários), as escolas, os hospitais, etc., não acompanham o ritmo de crescimento demográfico; as condições de vida degradam-se paulatinamente; o aumento da delinquência torna-nos, dia para dia, mais inseguros e desconfiados; o espectro de uma guerra nuclear obriga alguns governos, e também muitos particulares, a gastarem avultadas somas de dinheiro na construção de abrigos, quantias essas que, se não se alimentassem as guerras, poderiam muito bem ser canalizadas para o combate efectivo à fome e à miséria humanas.

Assim, a crise do sistema é total, estando este caduco porque se revelou incapaz de resolver os problemas básicos da existência humana. O suporte para a sobrevivência humana falhou. Em vão se dilapidaram as energias e as potencialidades herdadas. A insegurança, o descrédito e a incapacidade das pessoas para a resolução dos seus problemas faz-nos antever a queda próxima desta civilização e a mais que provável regressão a novas formas de tipo medieval ou mais atrasadas ainda. Daí que alguns filósofos da História afirmem que a actual humanidade está às portas de uma Nova Idade Média. Os sinais apontam nesse sentido.

O vazio de poder, o derrube das velhas ideologias de esquerda/direita, os separatismos/radicalismos, as “limpezas étnicas” e as demais mazelas que sacodem a vida social dos cidadãos do mundo geram uma crise e um desafio, sem precedentes, para as mentes esclarecidas que, no 3º milénio, se vêem na necessidade de, se não debelar o mal que as agita, pelo menos minorar os seus efeitos.

Do mesmo modo que após a queda do Império Romano surgiu a Idade Média, também a nova Idade Média surgirá - não com as mesmas características daquela que nós conhecemos na História - após a queda irreversível deste modelo de civilização.

Outro sistema virá substituir este. Não é por acaso que, actualmente, alguns políticos da União Europeia já falam e, mais do que isso, já estão a construir afanosamente a sua própria fortaleza: a “fortaleza” Europa. Outras fortalezas, de dimensões mais pequenas, se erguerão em breve noutros cantos do globo. Caiu o muro de Berlim, mas outros muros se levantarão.” – Eduardo Amarante

in "PORTUGAL - A MISSÃO QUE FALTA CUMPRIR", Eduardo Amarante / Rainer Daehnhardt



SAGRES E A VILA DO INFANTE


O Infante D. Henrique fundou numa das pontas do cabo de S. Vicente, chamada cabo de Trasfalmenar, perto de outra ponta chamada cabo de Sagres, em terreno para isso concedido em Carta de 1443 pelo regente D. Pedro, em nome do rei D. Afonso V (Arquivo Hist. da Marinha, I, 163-176), uma povoação a que pôs nome Villa do Iffante. Em 1451, o nome da vila aparece documentado pela primeira vez.

No cabo de Sagres havia já no século XII uma alcaria ou aldeia, em território dos árabes. Posteriormente veio a receber o título de vila, ao que não deve ter sido estranha a acção do Infante.

Décadas mais tarde, vemos as duas vilas, de Sagres e do Infante, identificadas oficialmente uma na outra, como se se tratasse de uma única povoação. A Vila do Infante acabou por ceder o passo à vila de Sagres. Contudo, há autores que defendem a tese de que foi exactamente no extremo do cabo de S. Vicente e não em Sagres que o Infante D. Henrique, esse anacoreta da Ciência Náutica, mandou edificar a sua Vila do Infante, que, mais tarde, foi arrasada para aí se construir as amplas dependências do farol. Porém, a tradição local conservou a memória do antigo povoado.

Outrora, como ainda hoje, toda a navegação que se fazia do Mediterrâneo para os portos do ocidente e do norte da Europa bordejava este promontório. Ao dominarem nesta região os ventos do norte e do oeste, os navios eram frequentemente forçados a tomar abrigo nas enseadas próximas. O Infante aproveitaria, assim, toda esta circulação de mareantes e de informações, ao mesmo tempo em que dispunha de condições excelentes para procurar e recrutar navegadores estrangeiros.


in Eduardo Amarante, "TEMPLÁRIOS, Vol. 3 - A Perseguição e a Política de Sigilo de Portugal: a Missão Marítima"

A FORMAÇÃO DA NAÇÃO PORTUGUESA NASCEU DE UMA VONTADE COLECTIVA

Independentemente do indiscutível génio político e militar de D. Afonso Henriques que soube granjear para a sua causa os favores das Ordens monástico-militares, como a Ordem do Templo, havia um sentimento colectivo já existente numa população que, desde tempos longínquos, estava enraizada e se identificava com o solo pátrio. Desse modo, a formação da nação portuguesa teve a sua raiz na vontade colectiva, animada por uma energia de continuidade milenar. Energia essa que provém das forças telúricas e da vontade divina. Nestes termos, a história de Portugal não se inicia com a dinastia de Borgonha, mas, antes, nas suas raízes profundas e longínquas. Quando surgiu D. Afonso Henriques, a gestação de Portugal vinha já de muito longe e despontou no sangue dos descendentes heróicos dos lusitanos ciosos da sua identidade e independência. O Estado autónomo que sucedeu à Reconquista cristã estava em germe desde a antiga Lusitânia. Portugal nasceu tanto pela vontade de D. Afonso Henriques e dos barões portucalenses, como pela visão política de S. Bernardo e pela acção militar dos cavaleiros templários, sem esquecer as “obscuras cristandades moçárabes em que o génio da raça se perpetuou iluminadamente”, com uma missão civilizadora e universalista. 

 in Eduardo Amarante,"TEMPLÁRIOS - de Milícia Cristã a Sociedade Secreta", Vol. 3 - A Perseguição e a Política de Sigilo de Portugal: a Missão Marítima

A IMPOSIÇÃO DA LIBERDADE


“A imposição da liberdade aos homens não é possível, é uma utopia, ou melhor, uma mentira. No mundo actual, globalizado, existem algumas pessoas que simplesmente utilizam a “liberdade” para explorar. A liberdade serve, em muitos casos - para não dizer na sua grande maioria -, para que os mais hábeis e sem escrúpulos explorem o povo indefeso e facilmente sugestionável. Os seus desígnios têm apenas um objectivo: fazer alguém escravo dos seus interesses. Em nome da liberdade os tiranos de hoje cometem as maiores arbitrariedades e apanham nas suas malhas os incautos que acreditam nas suas palavras. No mundo global, podemos espalhar o bem, mas o mal também facilmente se multiplica...” – Eduardo Amarante

in "PORTUGAL - A MISSÃO QUE FALTA CUMPRIR", Eduardo Amarante / Rainer Daehnhardt

A CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO MELHOR


“Platão conhecia demasiado bem a realidade humana. Este filósofo da antiguidade sabia que o mundo só podia ser mudado para melhor, melhorando primeiro o próprio homem. Na verdade, só poderemos construir um mundo melhor quando o homem se consciencializar de que essa tarefa só é possível se primeiro começar dentro de si. No mundo de hoje é difícil tal acontecer porque, de facto, existem homens que teimam em olhar mais para os outros do que para si próprios. Não tenhamos ilusões: a construção de um mundo melhor não parte de grandes soluções económicas ou sociais; parte, sim, de uma atitude individual de abnegação e altruísmo em relação ao futuro. A chave do problema está no homem e, portanto, só o homem o pode solucionar. Haja a Vontade e o Querer fazer alguma coisa para mudar o status quo actual. Acredito que a guerra, a fome, o desemprego, a pobreza, em suma, todas as dificuldades e angústias que todos nós temos vindo a sofrer não sejam em vão. O sofrimento, no pensamento budista, é veículo de consciência e, assim sendo, acredito que esse mesmo sofrimento constituirá uma oportunidade para que despertemos em nós a necessidade de mudança e procuremos a Verdade, a Luz, o Sol (o guia) que brilha no topo da caverna de Platão! Para bem da Humanidade.” – Eduardo Amarante 

 in "PORTUGAL - A MISSÃO QUE FALTA CUMPRIR", Eduardo Amarante / Rainer Daehnhardt

SER JOVEM HOJE...


“Ser-se jovem no mundo de hoje, globalizado, é tornar-se, como no aviário, homem rapidamente (no saber, na experiência, no pensar, no agir), em suma, fazer um curso acelerado, desde pequeno, de tudo o que é preciso para se ser adulto de sucesso. Mas, entenda-se que este curso (e aí é que as coisas podem tornar-se difíceis) deveria ser ministrado com base nos valores históricos, morais e espirituais (pilares na construção de todo o ser humano) e de acordo com as suas aptidões; é de uma formação sólida e adequada que dependerá o seu futuro desenvolvimento como pessoa incorporada no esquema social.

(...) Contudo, na realidade actual, os jovens não têm sonhos, não têm exemplos, não têm formação que os prepare para a sociedade do futuro, visto os caminhos de acesso à vida estarem vedados pelo espectro do desemprego, pela falta de habitação (por ser inacessível à sua carteira), pelas deficiências gritantes dos sistemas de ensino que não os preparam para a vida real. Estes jovens vêm o seu futuro... sem futuro. O que é que vão fazer? Quais as alternativas? A juventude cresce desamparada, num mundo cada vez mais competitivo, agressivo e cruel que a arrancou violentamente da idade da inocência e, em muitos, arrancou os sonhos e a própria vontade de viver.

(...) Os adultos e, mais particularmente, os políticos esqueceram-se de que os jovens são os nossos filhos, os nossos netos, os nossos “certificados de garantia” de amanhã; são eles que dirigirão os destinos de Portugal. Esquecer este facto é esquecer a nossa dimensão histórica e, assim sendo, é um puro suicídio colectivo: é a morte de um país, cuja geração vê-se castrada, mal formada e mal educada para se poder desenvolver naturalmente no caminho do futuro.

(...) Não estaremos nós a hipotecar a existência futura de Portugal? Que país se pode dar ao luxo de não dar atenção à sua juventude? Estes são os paradoxos inconcebíveis e inadmissíveis daqueles que se limitam a administrar (e mal) o nosso país.

(...) O mundo cada vez mais tende a globalizar-se e era neste preciso momento que os laços familiares e os valores humanos teriam de ser fortes. Quando esses elos são frágeis, resta a afirmação da história com os seus heróicos antepassados... ou, então, corre-se o risco de se ser submergido por algum país territorialmente maior, com mais influência dentro de uma teia de interesses mais vasta. Um dos perigos é o ressurgimento exacerbado, quase fanático, dos nacionalismos em reacção à ameaça globalista crescente. Importa encontrar o equilíbrio, que não é fácil, reconheçamo-lo, mas que não deixa de ser fundamental para a subsistência da sociedade.

(...) Em face deste panorama real, que não futurologia, cabe a nós Portugueses de cepa lusa sermos, como tantas outras vezes ao longo da História, os pioneiros na “descoberta” de um mundo em que os valores do espírito e da fraternidade imperem sobre os demais. E tudo o resto virá por acréscimo...” – Eduardo Amarante

in "PORTUGAL - A MISSÃO QUE FALTA CUMPRIR", Eduardo Amarante / Rainer Daehnhardt

CHEGOU A HORA!


“Os Templários constituíram um foco de luz de tal modo potente que ainda hoje ilumina o inconsciente colectivo do povo português. É uma força que não conseguimos controlar, pois ultrapassa a nossa razão. Daí querermos entender a mensagem que eles nos deixaram, descobrir verdadeiramente por que é que existiram, já que pressentimos que há algo que ficou inacabado. Há que procurar inteligir os símbolos, procurar compreender a missão templária e depois fazer a ligação com o futuro, com a Nova Era.

Portugal tem um papel importante no mundo. Teve no passado quando desbravou as trevas da Idade Média e terá no futuro dando o exemplo de como se pode conviver com os outros povos, independentemente de credos ou raças. Essa inspiradora luz podemos nós encontrá-la na Ordem do Templo (ou de Cristo) que é parte integrante da nossa história e é essa mesma história que agora nos chama para a missão do futuro. Chegou a Hora.” – Eduardo Amarante

in "PORTUGAL - A MISSÃO QUE FALTA CUMPRIR", Eduardo Amarante / Rainer Daehnhardt

A QUEDA DOS IMPÉRIOS


“Assistimos a uma época em que os impérios caem um por um. Desde o início do século XX caíram o austro-húngaro, o alemão, o francês, o britânico, o belga, o holandês, o português e o russo. Agora treme visivelmente o americano. É bem possível que neste 3° milénio assistamos ao desaparecimento dos impérios temporais ligados ao racionalismo e à matéria.

Será que António Vieira tinha razão quando escreveu a sua “História do Futuro”, prevendo a vinda do Quinto Império?

Será que Fernando Pessoa, o último rosa-cruz lusitano, nos quis deixar uma pista quando escreveu o horóscopo desta nação, prevendo a morte de Portugal para 1978 (data significativa para a tomada de decisão da integração de Portugal na Comunidade Europeia) e transmitiu esperança no Quinto Império?

Não há dúvida, os impérios temporais estão a desaparecer. Até as grandes hierarquias eclesiásticas se comportam como se tivessem os dias contados. Depois do Reino do Pai (Antigo Testamento) e do Reino do Filho (os dois milénios do símbolo dos peixes) virá o Reino do Espírito Santo, já o dizem as antigas profecias.

Os habitantes de Goa, como os do interior do Brasil, bem demonstram que não há necessidade da posse territorial por uma hierarquia estatal para salvaguardar a chama viva da alma portuguesa.” – Rainer Daehnhardt

in "PORTUGAL - A MISSÃO QUE FALTA CUMPRIR", Eduardo Amarante / Rainer Daehnhardt

ATÉGINA - DEUSA LUSITANA DA PRIMAVERA


"A etimologia da palavra "Atégina" parece provir do celta ate-gena que significa renascida. Atégina seria assim, na origem, deusa da terra e dos frutos da terra, que renascem todos os anos. No Equinócio de Outono, celebra-se o ritual que representa a descida de Atégina aos Infernos (submundo). Conta-nos a tradição que Atégina desce ao submundo (tal como Proserpina), em busca do seu amado Endovélico (equivalente, no submundo, a Hades/Plutão), que fora morto por um grande javali (que simboliza as forças da destruição, cuja função é destruir a forma para que a essência possa renascer). Atégina encontra-se no submundo com o seu amado Endovélico, o Muito Negro, agora Senhor do Mundo dos Mortos. Atégina, que simboliza a força que tudo vivifica, ao mergulhar nas trevas da Morte abandona o Mundo dos Vivos à escuridão e ao frio invernal, despojando a natureza de tudo o que antes era verde e florido. As imagens de Atégina e de Endovélico ficam guardadas no sacrário durante os meses escuros e só são retiradas no Equinócio de Primavera, a festa do Desabrochar da Vida. A semente, debaixo da terra, passa por um verdadeiro processo alquímico de putrefacção, surgindo, deste caos germinal, o rebento verde que se elevará, em busca do Sol: Endovélico (o que floresce), voltará a brilhar sobre a superfície. O botão, no tempo certo, florescerá, e Atégina ressurge, renascida, plena de Vida, Alegria, Beleza e Amor!" 

Eduardo Amarante 

 Ilustração: Atégina. Mármore, 210x93x72 cm, do artista Pedro Roque Hidalgo. Museu do Mármore, Vila Viçosa, Portugal, 2008.

TAL FÉNIX, A ORDEM DO TEMPLO FOI EXTINTA E RENASCEU




Em 1307, com a perseguição levada a cabo por Filipe o Belo contra os templários, que levou à extinção da Ordem pelo poder papal a 18 de Março de 1314, o projecto templário de instalar na Terra uma Teocracia baseada na Religião Universal, formada pela essência de todas as religiões, que é una e a mesma, foi inviabilizado.



V.-E. Michelet, a este propósito, tem uma frase que é lapidar e revela bem a importância que esta Ordem monástico-militar teve nos quase dois séculos da sua existência:

“Se a Ordem do Templo apenas durou cento e noventa e quatro anos, ela levou para o país da morte o seu segredo nunca revelado, segredo tão importante que, desde há mais de seis séculos, homens vindos de diversos horizontes do espírito se debruçam sobre as suas trevas.”

A Ordem dos Templários seria extinta por toda a Europa... excepto em Portugal, onde tomou novo fôlego sob a nova bandeira da Ordem de Cristo.

in "TEMPLÁRIOS, Vol. 3 - A Perseguição e a Política de Sigilo de Portugal: a Missão Marítima", Eduardo Amarante

A CONDENAÇÃO DE JACQUES DE MOLAY NA FOGUEIRA


A 18 de Março de 1314, por ordem do rei, um estrado foi colocado no adro de Notre-Dame, onde se concentrou a multidão para ouvir a sentença. Os condenados e os juízes subiram ao palco para dar início a tão tétrico espectáculo. Jacques de Molay, encarcerado em Paris, compareceu juntamente com outros três dignitários da Ordem, Hugo de Payraud, Geoffroy de Goneville e Geoffroy de Charnay, perante uma comissão de três cardeais, para ouvir a sentença do concílio presidido por Filipe de Marigny. Um dos cardeais recordou os “crimes” dos acusados e leu a sentença: os quatro templários eram unicamente condenados à prisão perpétua, “por terem ingenuamente confessado os seus crimes.”


Foi então que, de súbito, aconteceu um golpe de teatro.
Para espanto geral, o mestre dos templários, Molay, sem para tal ter sido convidado, dirigiu-se ao público que se amontoava a seus pés:
“É justo que, num dia assim tão terrível, e nos últimos momentos da minha vida, eu revele toda a iniquidade da mentira e faça triunfar a verdade. Declaro, à face do Céu e da Terra e confesso (…) que a nossa Ordem está inocente. Fiz a declaração contrária para suspender as dores horríveis da tortura, e para aplacar aqueles que mas faziam padecer. Sei dos suplícios que foram infligidos a todos os cavaleiros que tiveram a coragem de revogar uma tal confissão; mas o ignóbil espectáculo que me é apresentado não é capaz de me fazer confirmar uma primeira mentira por uma segunda: a uma condição assim tão infame, eu renuncio de coração à vida.”

E acrescentou solenemente:
“A Ordem do Templo é pura. Ela é santa e está inocente de todos os crimes de que a acusam.”

Jacques Molay reclamava a sua inocência e a da Ordem, afirmando que esta era pura e que a Regra era santa, justa e cristã e que jamais cometera os crimes e as heresias que lhe eram imputados e que o seu único crime consistia nas falsas confissões anteriormente pronunciadas sob tortura.

Esta proclamação de inocência, retomada por Geoffroy de Charnay, caiu como um raio no adro de Notre-Dame. Adivinha-se a emoção do povo aquando do anúncio desta revelação, mas também a cólera do rei. Era preciso fazer parar imediatamente tão inconvenientes personagens. Filipe o Belo decidiu, então, que eles seriam queimados vivos ao final da tarde desse mesmo dia. Por ordem sua, duas piras foram montadas na ilha dos Judeus, de frente para a catedral de Notre-Dame.

O vigésimo segundo mestre da Ordem, antes de desfalecer sob o ardor das chamas e com o olhar deliberadamente voltado para Notre-Dame, realizando um último gesto simbólico, teve o cuidado de tirar o seu manto; esse gesto ritual indicava indubitavelmente que a Ordem do Templo não tinha falhado a sua missão, que conservava toda a sua dignidade e que estava assim inocente de todas as acusações que lhe haviam sido imputadas. O abandono do manto sugeria a salvaguarda dos segredos da Ordem para o futuro, até que esta porventura ressurgisse um dia tal como Fénix renascendo das suas cinzas.

No dia 18 de Março de 1314, à hora do crepúsculo, na presença do rei que não quis deixar de contemplar a sua obra, Jacques de Molay e Geoffroy de Charnay foram devorados pelas chamas; “protestando sempre, até ao último suspiro, a sua inocência e a da Ordem, eles mostraram uma energia e uma resignação dignas do seu cargo e da sua virtude.”

A Ordem do Templo foi extinta no primeiro quartel do século XIV às mãos de Filipe o Belo, rei de França. Morreu abandonada pelo seu protector natural, o Papa, que acabou por se render sem condições à vontade do rei.

Filipe o Belo saía vitorioso. Mas, num ápice, Filipe o Belo obteve o efeito contrário àquilo que pretendia. O povo de então ficou impressionado com a dedicação destes cavaleiros templários, tão injustamente condenados, que, morrendo calabouços ou na fogueira, não deixaram de defender a Ordem, exaltando a sua inocência. Ainda as piras não estavam totalmente apagadas e já a multidão se precipitava sobre elas para recolher as cinzas. Era o próprio povo que acabava de canonizar aqueles que considerava, desde então, como mártires.

O sacrifício da morte e a afirmação por parte de Jacques de Molay da inocência da Ordem foi a cartada decisiva e final que fez gorar todo o plano engendrado, durante anos, pelo rei de França, Filipe o Belo, quase sempre em conluio com o poder eclesiástico. O mestre da Ordem, com esta acção, inviabilizou a condenação da Ordem do Templo, pois não havia matéria de facto que a culpabilizasse: tinha-a proclamado inocente.


in Eduardo Amarante, "Templários, Vol. 3 - A Perseguição e a Política de Sigilo de Portugal: a Missão Marítima"


A CIÊNCIA NÃO PODE ENTENDER NEM EXPLICAR AS PROFECIAS


“As ciências físicas acabam sempre por tropeçar com as qualidades ocultas, em cuja categoria se incluem as forças elementais da natureza; e essas forças pertencem ao estudo e ao campo da filosofia, e não da ciência”, escreve Schopenhauer.

Do exposto fica-se com a ideia de que a ciência não pode, de facto entender racionalmente nem explicar as profecias em si, nem os profetas e menos ainda as suas capacidades premonitórias. Contudo, há uma ciência, a Filosofia da História, que, apercebendo-se do modo como se desenrola o processo histórico, numa sucessiva cadeia de causas e efeitos, estuda a génese (o mito) e a finalidade (arquétipo, o princípio) da História como um todo que transcende as diferentes e circunstanciais histórias (meta-história).

Actuando no mundo psíquico e fazendo parte do inconsciente colectivo dos povos, os mitos são relatos, ou memórias, que contêm em si uma verdade e, de acordo com Joseph Campbell, são também pistas para as potencialidades espirituais da vida humana, ou seja, tudo aquilo que somos capazes de conhecer e experimentar interiormente. Para tanto é fundamental apreender a mensagem interna dos símbolos. Uma coisa que se revela nos símbolos – recorda-nos Campbell – é que no fundo do abismo desponta a voz da salvação. É a íntima certeza de que quando “Deus fecha uma porta abre uma janela”, e de que “há sempre uma luz no fundo do túnel”; no fim do caminho, o Bem sempre vence o Mal e, em última instância, a Justiça Divina sempre actua , ainda que entre os homens reine a maior das injustiças numa aparente impunidade. Há, assim, dois tipos de seres capazes de prever o futuro: o profeta (intuitivo) e o filósofo da história (racional movido pela verdade).

in "PROFECIAS - da interpretação do Fim do Mundo à vinda do Anticristo", Eduardo Amarante

INFANTE D. HENRIQUE, O NAVEGADOR



O Infante D. Henrique, também denominado o “Navegador”, nasceu no Porto a 4 de Março de 1394. Filho do rei D. João I, Mestre de Aviz e de D. Filipa de Lencastre, cedo começou a dedicar-se aos estudos náuticos, astronómicos e matemáticos. Antes, porém e mercê da cuidada educação cavaleiresca que tivera, juntamente com os seus sete irmãos, na casa real onde sua mãe, inglesa de origem, da ilustre família dos Lencastre, os iniciara no espírito das ordens de cavalaria medievais, o Infante, após ter sido nomeado pela própria Dona Filipa, numa cerimónia exemplar, cavaleiro de Aviz, teve a oportunidade de mostrar os seus dotes de coragem e de firme vontade na conquista da cidade de Ceuta, no norte de África, na qual se notabilizou pela bravura com que combateu.

Após os deveres militares cumpridos e movido pelo seu carácter profundo e austero, o Infante decidiu instalar-se em Sagres, no extremo ocidental da Península, onde terá fundado a escola marítima da qual saíram os mais prestigiosos descobridores dos novos mundos.

No seu recolhimento em Sagres, o guerreiro de outrora empenhava-se dia e noite numa nova cruzada, mais mental, mais grandiosa: a luta contra uma Europa descrente que acabara por renunciar, desanimada e céptica, à nova rota dos mares. Assim, sobrepondo a sua vocação marítima a todos os desejos temporais, não houve sombra terrena que lhe passasse pela mente. Puro de espírito como um cavaleiro do Santo Graal, tornou-se frade de uma nova ordem: a cavalaria dos mares. A sua força situava-se na sua convicção, na vontade inquebrantável de transformar as superstições e as trevas de uma época em que o mundo via no oceano a noite eterna, numa nova luz, num mar aberto ao influxo da civilização. O interesse comercial nunca foi o motor impulsionador deste sublime empreendimento levado a cabo pelo Infante. A única preocupação de D. Henrique era a descoberta de novas terras, apoiada em objectivos científicos, espirituais e humanistas.

O Infante foi um sonhador, mas teve o mérito de viver para esse sonho. Sob o seu impulso entusiástico e persistente a grande epopeia marítima abriu ao mundo novos mundos, permitiu o avanço das ciências e, o mais significativo, contribuiu definitivamente para a queda de uma Idade Média dividida e abalada pelas sucessivas crises de ordem religiosa, económica e social.

(...) D. Henrique faleceu em Sagres no ano de 1460 sem ter visto o seu sonho realizado. No entanto, isso pouco lhe importava, atendendo à gigantesca dimensão do plano que o possuía, para o qual a sua efémera existência bem curta era.

(...) Os frutos deste grande sonho foram colhidos pelos seus sucessores, perante uma Europa até então dividida, descrente e arrogante. Portugal, através da persistência e do método inteligente e organizado do Infante, abriu o caminho aos novos mundos, à esfericidade da Terra, ao combate contra a ignorância obscura da Idade Média. D. Henrique encarna tudo isto. O seu sonho do aparentemente impossível fez-se realidade.

O grande mérito que terá tido este Príncipe solitário foi o de fazer acreditar o seu povo no sonho que o possuía. Por isso mesmo não viu o fim da sua obra já que esta transcendia todos os factores da humilde condição humana. O que impulsionou este espírito genial, como impulsiona, aliás, todos os homens possuídos de génio, não podem ter sido os factores comuns que apenas alcançam os historiadores comuns. Não foi uma religião, nem a riqueza, nem a ciência que moveram o espírito ardente do Infante. Apenas a busca da transcendência humana, a vontade de ultrapassar os limites dos horizontes físicos, a luta sem tréguas contra a natureza indomável, as dúvidas, os medos, o desconhecido.

Eduardo Amarante


A NOVA IDADE DAS TREVAS?


A visão estreita e dogmática de uma “história linear” cujo corolário (anti) natural seria a etapa científico-positiva que, pressupostamente, agora vivemos, engendrou um elevado número de absurdos, desde a pretensa origem símia do género humano, até ao mito do “paraíso” tecnológico e à própria negação ou, no mínimo, antropomorfização de Deus. A chamada “idade contemporânea” é o retrato das mentes que pensam na horizontal e que não encontraram melhor qualificativo para designarem – dentro do seu esquema utópico – a época que sucedeu à convencional e apelidada “idade moderna”. Como refere O. Spengler:

«O conceito de ‘Época Moderna’ não permite nenhuma continuação do processo histórico, e depois de ter sido ‘esticado’ várias vezes já não pode suportar outras dilatações, como demonstra claramente a expressão ridícula e desesperada de ‘Época Contemporânea.’» 

Não é, pois, de espantar que dentro de um tal panorama tragicómico com as suas sequelas de horror e ignorância ressurgisse, à luz do dia, todo um lote de disparates e aberrações – que pareciam ter sido já sepultados pelo tempo –, próprios do período mais negro da Idade Média europeia. 

Paradoxalmente, uma época que, como a nossa, se diz científica, vê renascer no seu próprio seio velhas superstições e um medo muito particular face ao desconhecido quando, em simultâneo, a mesma ciência pretende ter explicações para tudo. Só assim se explica que em pleno século XX tenha sido proclamada oficialmente, pelos teólogos cristãos, a existência do Diabo! 

E, por este andar, não sabemos se vamos assistir, no início deste milénio, à posição teológica quanto ao perfil do demo, à localização exacta do Inferno ou às discussões se os anjos têm sexo ou não, como aconteceu num Concílio no período mais obscuro da Alta Idade Média. 

Face a estas aberrações que hoje reaparecem e que os mais cândidos julgavam definitivamente banidas, urge procurar uma posição filosófica activa e construtiva que nos permita combater a ignorância e o complexo de culpa que nos vem do facto de termos fracassado como civilização. Mais tarde ou mais cedo o materialismo acabará porque os seus dias estão contados, e o Diabo não é mais do que o álibi daqueles que, impotentes na sua missão de elevar as almas das pessoas, socorrem-se de mil e um artifícios e superstições para se manterem à tona de água. 

De facto, os actuais demagogos são verdadeiramente maquiavélicos. Ao verem a sua situação periclitante e em perigo não hesitam, com o engenho e a arte e o engenho de que são mestres, em inventar tudo o que lhes dita a sua astúcia, a fim de sobreviverem no meio das pessoas, amedrontando-as para melhor as subjugar. Resta-nos, pois, trabalhar denodadamente para que volte a amanhecer na História. 
Eduardo Amarante

O “VELHO DO RESTELO” E OS SEUS EFEITOS NA SOCIEDADE

Emblema típico da “contra-evolução”, o Velho do Restelo é tão antigo como o mundo; é a força da inércia por oposição à força do progresso. Estas duas forças alternam-se, marcando o ritmo do Universo, e sucedem-se no tempo com as suas plasmações no espaço.


Este personagem, genialmente captado por Camões, não tem lugar nem tempo específicos; umas vezes é vencido e outras parece vencer. Etéreo, chega a corporizar-se; moinho de vento, chega a passar por gigante. Tem a força de um mito, pois habita no mais recôndito do próprio homem. Alimenta-se de alienações e aí reside todo o seu vigor por ser difícil ao humano ver em si aquilo que vê nos outros. Com efeito, uma época detecta as alienações no passado, mas não no presente.

Na actualidade, o Velho do Restelo surge esplendente com a sua velha arma: o pré-conceito, ou seja, um modelo forjado na sua vetusta oficina, moldável ao mais amplo espectro de circunstâncias específicas ou genéricas, revestindo- se do verniz da originalidade que lhe dá o brilho de conceito. Mas não é! Trata-se apenas de um preconceito, agora potenciado em mito.

Diz-nos, por exemplo, que a democracia é boa, é panaceia, é o topo da evolução política dos povos. Se assim o fosse, porque é que, então, não se democratiza totalmente a família? Por que não decidem todos por votação, pais e filhos? Por que se obrigam os filhos a ir à escola? Por que é que há ensino obrigatório? Porque ainda são crianças – responderiam.

Se, por um lado, analisarmos a “pressão” informativa a que as pessoas estão sujeitas diariamente, incluindo nesta pressão o facto de a grande maioria do povo nada saber de política, entender pouco ou nada do que os políticos dizem e, ainda, o que é pior para os “ingénuos defensores da democracia”: não se interessam pela política e nem querem saber dos políticos. Isso é tão verdadeiro quanto aquilo que nos é dado observar, ou seja, a maioria dos homens interessarem-se mais pelo futebol, as mulheres pelas modas, e ambos pela praia, férias, comida e telenovelas. Claro está que este fenómeno se dá nas cidades, pois as pessoas no campo (ou afastadas dos centros urbanos e que vivem no interior) interessam-se essencialmente pelo pão que o trabalho lhes dá e pelos bailaricos ou reuniões de domingo, organizações de festas, etc. Se chegam a falar de política é para discutir os novos aumentos, o nível de vida que afecta o pão de cada dia... Pouco lhes importa os que estão no governo, o que pensam e o que dizem, porque não poderiam nem podem entendê-los, tal como nós, que também não entendemos o que dizem, embora entendamos o que pretendem...

Observai, de seguida, os nossos jovens e vereis que muitos deles estão desligados da política. Esta está bem longe do horizonte das suas preocupações. Enquanto os pais assegurarem as suas necessidades (que por vezes são vícios) não têm de se preocupar com o dinheiro. E, nesse caso, a sua prioridade é “curtir a vida”, ouvir música da pesada, drogar-se; e perpetuarem os seus estudos a fim de poderem vir a ser “alguém” na vida e, desse modo, justificarem as benesses paternas. Neste contexto, “ser estudante” é usufruir de um estatuto, de um status, que enquanto durar os livra de problemas e compromissos. Compromissos esses que tentam protelar enquanto puderem porque até eles sentem o país nas mãos de gente descomprometida. O problema surge quando se dão conta que não têm dinheiro, que o gastaram.

Nessa altura, a sua prioridade é encontrar um emprego que lhes assegure uns tostões para o lar. E é aqui que começam os problemas, pois o desemprego é grande. Há depois aqueles que são mais astutos e que vivem de “expedientes”, de mercado negro, da corrupção, modus vivendi também muito usual em certos homens de fato e gravata.

Então, por quê os louvores à democracia? Para responder a esta questão temos de ver quem é que a louva. É a maioria dos políticos que, sem ela, nada seriam e os outros que, já sendo alguma coisa, têm de entrar no jogo, no “clube” para daí tirarem mais benefícios, sob pena de se verem excluídos... É também toda a estirpe de intermediários e audaciosos que beneficiam da situação tipo “laissez faire, laissez passer” para porem à prova seus dotes de oportunismo alimentado pela ausência de escrúpulos. Os demais, incluindo a pequena burguesia (classe praticamente extinta) saem sempre a perder, levados na onda da incultura e da massificação dos mass media que se encarregam de fazer repetir na boca do povo os ditos louvores, tal ovelha astuta, cúmplice do mau pastor, que põe as outras a fazer e a repetir o mesmo slogan...

Ah, Velho do Restelo, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!
Eduardo Amarante