LUGARES MÁGICOS, VIRGENS NEGRAS E SERPENTES DA TERRA


"A Terra emite forças próprias segundo trajectórias horizontais e recebe forças cósmicas segundo trajectórias verticais. Estas duas linhas cruzam-se no interior da Terra nos chamados pontos telúricos que percorrem linhas sinuosas de importância variável. As linhas eram, na antiguidade, conhecidas por Serpentes da Terra e veneradas como sendo divindades ctónicas, ou das profundezas e era-lhes atribuída a cor negra. Este facto deu origem às Virgens Negras, cujos santuários foram edificados em pontos telúricos especiais, já sinalizados outrora pelos celtas e pelos construtores de megálitos. Nesses pontos eram edificados os templos (lugares mágicos ou de culto), desde as mais remotas eras. 
Em Portugal, os antecessores dos lusitanos sinalizaram esses lugares, erigindo aí dólmens e menires. Mais tarde, os celtas reutilizaram esses lugares mágicos, construindo sobre eles os seus templos. Os celtas chamavam wouivires tanto às serpentes que deslizam na Terra como às forças telúricas que percorrem o subsolo. Por fim, os visigodos, herdando esses conhecimentos sobre as energias telúricas que lhes foram transmitidos pelos druidas, deram continuidade à tradição universal, reactivando com seus santuários esses poderosos pontos energéticos."


In Eduardo Amarante, "Portugal e os Seus Lugares Mágicos".

O SÍMBOLO DA SERPENTE


O símbolo da serpente, ondulando em forma ziguezagueante sobre a superfície terrestre, é o mais representativo da sacralidade do mundo. Na Antiga Tradição é tido como um dos aspectos visíveis e terrestres da divindade que percorre e alimenta o interior da Terra, garantindo o seu equilíbrio geomagnético. As energias cósmicas e telúricas, quando conjugadas num ponto do planeta, concentram nele uma forte carga energética, atribuindo a esse lugar um valor sagrado, mágico. Aí os antigos erigiam os seus monumentos megalíticos procedendo a cerimónias religiosas em troca das benesses recebidas.
In "Portugal e os Seus Lugares Mágicos", Eduardo Amarante

O SELO TEMPLÁRIO


"O selo da Ordem do Templo simboliza a dupla natureza, divina e humana, assim como a dualidade em cada ser, “animus/anima” (segundo C. G. Jung), e o cavalo sobre o qual dois cavaleiros estão montados possibilita a passagem entre dois mundos: o celeste e o terrestre. Esse cavalo não deixa, curio­samente, de evocar o mítico Pégaso, mensageiro dos deuses que assegurava a comunicação entre eles mediante uma linguagem velada aos profanos, a cavala, que se tornou na “cabala” segundo os princípios da ciência hermética medieval. Além disso, os dois cavaleiros e o seu cavalo evocam a tríplice natureza do ser: spiritus (espírito), animus (alma), corpus (corpo), estando este último representado pelo cavalo, tal como nos ensina Platão no Fedro, sugerindo que o corpo não é senão o veículo da alma e do Espírito divino.

Quando observamos o selo da Ordem do Templo representado pelos dois cavaleiros sobre uma mesma montada, nada mais vemos senão DOIS cavaleiros sobre UM cavalo. Ora, dois sobre um é precisamente a relação que existe entre a largura e o comprimento da Mesa Rectangular que serve de base à edificação de uma catedral. Trata-se, pois, de uma imagem por demais edificante. Esta mesa contém o centro sagrado, o lugar de onde partem todas as medidas de construção. Por outro lado, a imagem mostra que 2 estão sobre o mesmo cavalo, a mesma Cabala, ou seja, a mesma tradição cifrada que dá os parâmetros de construção de uma catedral ou de um homem verdadeiro. 2 + 1 = 3, sendo o 3, num dos seus aspectos, o duplo triângulo: um, receptáculo das energias telúricas; o outro, das energias cósmicas. O entrelaçamento de ambos forma o Selo de Salomão ou Estrela de David, assinatura e instrumento dos construtores. Simboliza a energia vital cósmica que anima a obra ao se unir ao septenário sagrado, sintetizando a Terra (4) e o Céu (3) e integrando o Homem (5)."

Eduardo Amarante

In "Templários - De Milícia Cristã a Sociedade Secreta", Apeiron edições

O SONHO


"O sonho, que é a essência do ser português, move este último no sentido da realização, mas as suas raízes estão no mundo do Espírito. Neste sentido, a tríade pessoana de “Deus Quer / O Homem Sonha / A Obra Nasce” tem a sua representação simbólica no triângulo formado, de cima para baixo, pelo Mundo dos Arquétipos ou do Espírito, pelo Mundo da Psique ou da Alma e, por fim, pelo Mundo da Matéria, da plasmação da Ideia, do Arquétipo, do ensinamento esotérico.
Quando o Sonho é suficientemente grande e forte nasce a capacidade de agir, de se manifestar. Então a “Obra nasce”. Eis aí o Lugar Mágico por excelência, que não pode ser compreendido sem essas três chaves interpretativas ou atributos logóicos do Universo. Tal como o macrocosmos, o homem, como microcosmos, é formado pelas mesmas três realidades, ou três mundos:
1) A realidade arquetípica ou espiritual que lhe é quase inacessível;
2) A realidade psíquica da Alma;
3) E a realidade física, em que a Alma está na encruzilhada, crucificada, entre o mundo espiritual ou arquetípico, representado pela linha vertical, e o mundo fenoménico, material ou físico, representado por uma linha horizontal.
A intersecção destas duas linhas forma o símbolo iniciático da cruz.
Por vezes, encontramos em muitos templos, na intersecção da nave com o transepto (homem de braços abertos, cuja cabeça é simbolizada pela ábside), um coração ou algo equivalente como, por exemplo, uma rosa, que representa o renascer, o corolário da nossa evolução, o reencontro com a nossa Alma imortal."
Eduardo Amarante

A TÁVOLA REDONDA


Artur reunira sua corte em Londres. Acabara de aceitar o desafio de Riondas Ilhas quando um velho cego, que cantava acompanhada de uma harpa, solicitou a honra de levar as insígnias do rei na expedição, Artur recusou: - Você é cego, meu amigo! Nesse momento, diante de todos, o harpista transformou-se num encantador menino de oito anos, e todos compreenderam que Merlin, mais uma vez, pregara uma peça nos amigos. Retomando sua forma e seriedade, o mago fez aparecer uma grande mesa redonda, cercada por cento e cinquenta cadeiras.
- Em volta dessa mesa - disse Merlim -, irão sentar-se os cento e cinquenta melhores cavaleiros do mundo. Algumas cadeiras já trazem gravados a ouro, os nomes de alguns de vocês: Gawain e seu irmão Yvain, Sagremor, Galecin, o rei Helain e todos os que ajudaram Artur a defender o reino. Esta mesa é redonda para que nunca haja discussão sobre a importância de um único cavaleiro. Mas a cadeira situada a direita do rei está reservada a um único cavaleiro. Qualquer outro que nela se sentar será imediatamente engolido pela terra. Por isso chama-se Cadeira Perigosa. A esse cavaleiro eleito caberá uma santa missão. Fez uma pausa e prosseguiu: - Vocês sabem que, no dia em que Jesus foi crucificado, um romano convertido, José de Arimateia, recolheu o sangue de suas chagas numa taça, o Graal. Essa taça preciosa foi levada para a Grã-Bretanha pelos descendentes de José, que a esconderam num castelo. Só o cavaleiro que a encontrar poderá ocupar a Cadeira Perigosa. Os cavaleiros escutavam Merlim, em silêncio. Depois, Gawain tomou a palavra e fez um juramento:
- Juro socorrer qualquer dama ou donzela que venha a esta corte pedir auxílio. Juro socorrer qualquer homem que tenha queixas de um cavaleiro. Juro partir em busca de qualquer um de nós que desapareça, e minha busca deverá durar um ano e um dia. Em seguida, todos os outros cavaleiros repetiram o juramento. Assim foi criada a Ordem dos Cavaleiros da Távola Redonda.

O MITO DO QUINTO IMPÉRIO

NO IMAGINÁRIO PORTUGUÊS


"A característica insatisfação do Português resulta de ainda não ter cumprido em pleno algo a que está destinado, de ter deixado o trabalho inacabado. O desânimo não é mais do que o estado de alma que experimenta nos momentos de crise anímica profunda, pela ausência de ideais superiores, sentindo então um vazio de motivações, aliado a um descontentamento em relação a si próprio, por não se sentir capaz, no momento, de abraçar o destino para que foi forjado. Porém, o Português não pode, porque está estigmatizado, viver sem a presença, real ou imaginária, do Mito do Quinto Império, gravado a fogo nas Cinco Quinas da Bandeira Nacional.

Recordando nós que o mito é um relato que contém uma verdade, o Quinto Império é uma realidade a ser cumprida e essa é uma verdade que constitui algo de profundamente atávico no inconsciente colectivo do povo português. Isto quer dizer que o Português – aquele que ama e sente a sua pátria e se identifica com os seus antepassados históricos e míticos –, quer queira, quer não, tem o estigma do Quinto Império e no seu subconsciente sente-se directamente comprometido com a sua realização.

Essa tarefa, ou melhor, missão, já está em curso e a sua plasmação no plano físico far-se-á sentir num futuro não muito distante. É uma obra de tal envergadura que o seu processo já se iniciou nos planos subtis, aí onde se travam titânicas batalhas entre as forças da Luz e as forças das Trevas, entre as forças da evolução espiritual e as forças da estagnação materializante. E, na hora da sua consumação neste plano terrestre, será chamado a intervir o génio português com as suas qualidades ímpares e os seus defeitos sublimados e sacrificados no altar dos mais altos Valores."

Eduardo Amarante

DECLARO-ME VIVO !



"Saboreio cada momento.

Antigamente preocupava-me quando os outros falavam mal de mim. Então fazia o que os outros queriam e a minha consciência censurava-me. Entretanto, apesar do meu esforço para ser bem educado, havia sempre alguém que me difamava.
Como agradeço a essas pessoas, que me ensinaram que a vida é apenas um cenário. Desse momento em diante, atrevo-me a ser como sou. A árvore anciã ensinou-me que somos todos iguais. Sou guerreiro: a minha espada é o amor; o meu escudo é humor; meu esforço para ser bem educado, havia sempre alguém que me difamava. Como agradeço a essas pessoas, que me ensinaram que a vida é apenas o meu espaço é a coerência; o meu texto é a liberdade. Perdoem-me se a minha felicidade é insuportável, mas não escolhi o bom senso comum. Prefiro a imaginação dos índios, que tem embutida a inocência. É possível que tenhamos de ser apenas humanos. Sem Amor nada tem sentido, sem Amor estamos perdidos, sem Amor corremos de novo o risco de estarmos a caminhar de costas para a Luz. Por esta razão é muito importante que apenas o Amor inspire as nossas acções. Anseio que descubras a mensagem por detrás das palavras; não sou um sábio, sou apenas um ser apaixonado pela vida. A melhor forma de despertar é deixar de questionar se as nossas acções incomodam aqueles que dormem ao nosso lado. A chegada não importa; o caminho e a meta são a mesma coisa. Não precisamos correr para nenhum lugar, apenas dar cada passo com plena consciência. Quando somos maiores do que aquilo que fazemos, nada nos pode desequilibrar. Porém, quando permitimos que as coisas sejam maiores do que nós, o nosso desequilíbrio está garantido. É possível que sejamos apenas água fluindo; o caminho terá de ser feito por nós. Porém, não permitas que o leito escravize o rio; ou então, em vez de um caminho terás um cárcere. Amo a minha loucura que me vacina contra a estupidez. Amo o Amor que imuniza contra a infelicidade que prolifera, infectando almas e atrofiando corações. As pessoas estão tão acostumadas com a infelicidade que a sensação de felicidade lhes parece estranha. As pessoas estão tão reprimidas que a ternura espontânea as incomoda e o amor lhes inspira desconfiança. A vida é um cântico à beleza, uma chamada à transparência. Peço-vos perdão, mas… DECLARO-ME VIVO!"

Luiz Espinosa (Chamalú), índio quechua, escritor boliviano que procura restaurar os antigos conhecimentos esotéricos dos Incas.