"Falar sobre o Sagrado nos dias de hoje não é tarefa fácil, porquanto vivemos numa sociedade fortemente comercialista que tudo consome, até mesmo a literatura mais profundamente religiosa e espiritual. Tudo é pretexto para se fazer comércio. Quando assim acontece resulta difícil a verdadeira comunicação entre as pessoas, pois a margem é perigosamente estreita para se falar daquilo que é essencialmente importante: a nossa identidade humana, o que somos, o que queremos e para onde vamos.
A clássica atitude filosófica do espanto, da humildade, em suma, do amor à sabedoria, são virtudes hoje praticamente descartáveis. Porém, são estas mesmas virtudes primárias que nos possibilitam o retorno às Coisas Sagradas. Há que ter a consciência de que o homem sem a dimensão do sagrado perde a sua própria identidade de Ser." - Eduardo Amarante
EM DEFESA DA NOSSA IDENTIDADE

"As gerações de hoje deverão ter a coragem, a determinação necessária para defenderem o seu património histórico, a sua identidade, a sua enriquecedora diferença em relação a outras culturas, a outras identidades, para que no futuro todos possam beneficiar de uma autêntica e salutar convivência mútua, respeito e verdadeira fraternidade. Apesar do mito actual, recém-formado, do mundo global (que em termos práticos é a desagregação da identidade das nações), é necessário engenho e coragem política para lutar com honra e verdade contra quem quiser submergir qualquer nação que seja na teia de interesses inconfessáveis que anulam no ser humano a sua dimensão histórica e espiritual." - Eduardo Amarante
OS TEMPOS QUE AÍ VÊM...
“Os ideais de progresso material do século passado falharam.
O progresso actualmente está em regressão: fecham-se fábricas, aumenta o número de desempregados, escasseiam a energia e as matérias-primas; as habitações (muitas por estarem com preços inflaccionários), as escolas, os hospitais, etc., não acompanham o ritmo de crescimento demográfico; as condições de vida degradam-se paulatinamente; o aumento da delinquência torna-nos, dia para dia, mais inseguros e desconfiados; o espectro de uma guerra nuclear obriga alguns governos, e também muitos particulares, a gastarem avultadas somas de dinheiro na construção de abrigos, quantias essas que, se não se alimentassem as guerras, poderiam muito bem ser canalizadas para o combate efectivo à fome e à miséria humanas.
Assim, a crise do sistema é total, estando este caduco porque se revelou incapaz de resolver os problemas básicos da existência humana. O suporte para a sobrevivência humana falhou. Em vão se dilapidaram as energias e as potencialidades herdadas. A insegurança, o descrédito e a incapacidade das pessoas para a resolução dos seus problemas faz-nos antever a queda próxima desta civilização e a mais que provável regressão a novas formas de tipo medieval ou mais atrasadas ainda. Daí que alguns filósofos da História afirmem que a actual humanidade está às portas de uma Nova Idade Média. Os sinais apontam nesse sentido. O vazio de poder, o derrube das velhas ideologias de esquerda/direita, os separatismos/radicalismos, as “limpezas étnicas” e as demais mazelas que sacodem a vida social dos cidadãos do mundo geram uma crise e um desafio, sem precedentes, para as mentes esclarecidas que, no 3º milénio, se vêem na necessidade de, se não debelar o mal que as agita, pelo menos minorar os seus efeitos.
Do mesmo modo que após a queda do Império Romano surgiu a Idade Média, também a nova Idade Média surgirá - não com as mesmas características daquela que nós conhecemos na História - após a queda irreversível deste modelo de civilização.
Outro sistema virá substituir este. Não é por acaso que, actualmente, alguns políticos da União Europeia já falam e, mais do que isso, já estão a construir afanosamente a sua própria fortaleza: a “fortaleza” Europa. Outras fortalezas, de dimensões mais pequenas, se erguerão em breve noutros cantos do globo. Caiu o muro de Berlim, mas outros muros se levantarão.” – Eduardo Amarante
in "PORTUGAL - A MISSÃO QUE FALTA CUMPRIR", Eduardo Amarante / Rainer Daehnhardt
PERIGO: A MORTE DA RAZÃO
“São inegáveis os perigos que se produzem quando um povo atravessa um período de desculturalização massiva. Vemos através dos exemplos que a História nos dá que este é um fenómeno cíclico e geralmente de consequências mais ou menos dolorosas e, não raras vezes, gera movimentos fanáticos das massas que, invariavelmente, são brutais e inconsistentes, sempre de resultados nefastos.
Estes movimentos, conduzidos por um ou mais líderes sem escrúpulos, cheios de ânsia de poder e de opressão sobre os demais, e hábeis na manipulação psicológica das massas, caracterizam-se pela exaltação do ódio, da inveja e da contestação nestas últimas e estão impregnados de violência e de destruição.
A arma utilizada por estes líderes de um mundo material e ateu é, precisamente, a aniquilação do senso comum natural, presente em todos os homens, e a desculturalização geral dos indivíduos segundo planos, aliás, muito bem orquestrados. Esta desculturalização funda-se numa desagregação gradual dos índices de informação, de conhecimento, de valores morais e sociais e, sobretudo, numa crescente falta de convívio e de diálogo entre os homens e Deus. Para tomarmos consciência disto, bastaria lermos friamente e sem preconceitos sobre pretensas oposições de “direita” e “esquerda” (clichés muito utilizados) que fazem parte de um plano que Lenine escreveu nos inícios do século XX para a penetração ideológica comunista no Ocidente. Este plano tinha como base a eliminação progressiva dos valores como Deus, a Pátria, a Família e o culto aos antepassados.
Efectivamente, as frases estereotipadas e sem conteúdo, mas bem sonantes, as promessas irrealizáveis e a lavagem ao cérebro através de repetições sucessivas sobre pretensas “conquistas”, como a democracia, a liberdade, a igualdade, o direito ao trabalho e ao ensino, etc., produzem sempre um efeito hipnotizante nas massas, que se vêem docilmente envolvidas neste jogo de vocábulos que não entendem. A arte deste aparelho invisível, que possui de facto as rédeas do poder, utilizando as massas para os seus fins pessoais de poder e lucro, consiste precisamente em fazer pensar ao povo que sabe e entende e que tem o direito de exprimir a sua opinião...” – Eduardo Amarante
in "PORTUGAL - A MISSÃO QUE FALTA CUMPRIR", Eduardo Amarante / Rainer Daehnhardt
Estes movimentos, conduzidos por um ou mais líderes sem escrúpulos, cheios de ânsia de poder e de opressão sobre os demais, e hábeis na manipulação psicológica das massas, caracterizam-se pela exaltação do ódio, da inveja e da contestação nestas últimas e estão impregnados de violência e de destruição.
A arma utilizada por estes líderes de um mundo material e ateu é, precisamente, a aniquilação do senso comum natural, presente em todos os homens, e a desculturalização geral dos indivíduos segundo planos, aliás, muito bem orquestrados. Esta desculturalização funda-se numa desagregação gradual dos índices de informação, de conhecimento, de valores morais e sociais e, sobretudo, numa crescente falta de convívio e de diálogo entre os homens e Deus. Para tomarmos consciência disto, bastaria lermos friamente e sem preconceitos sobre pretensas oposições de “direita” e “esquerda” (clichés muito utilizados) que fazem parte de um plano que Lenine escreveu nos inícios do século XX para a penetração ideológica comunista no Ocidente. Este plano tinha como base a eliminação progressiva dos valores como Deus, a Pátria, a Família e o culto aos antepassados.
Efectivamente, as frases estereotipadas e sem conteúdo, mas bem sonantes, as promessas irrealizáveis e a lavagem ao cérebro através de repetições sucessivas sobre pretensas “conquistas”, como a democracia, a liberdade, a igualdade, o direito ao trabalho e ao ensino, etc., produzem sempre um efeito hipnotizante nas massas, que se vêem docilmente envolvidas neste jogo de vocábulos que não entendem. A arte deste aparelho invisível, que possui de facto as rédeas do poder, utilizando as massas para os seus fins pessoais de poder e lucro, consiste precisamente em fazer pensar ao povo que sabe e entende e que tem o direito de exprimir a sua opinião...” – Eduardo Amarante
INSATISFAÇÃO...
"A característica insatisfação do Português resulta de ainda não ter cumprido em pleno algo a que está destinado, de ter deixado o trabalho inacabado. O desânimo não é mais do que o estado de alma que experimenta nos momentos de crise anímica profunda, pela ausência de ideais superiores, sentindo então um vazio de motivações, aliado a um descontentamento em relação a si próprio, por não se sentir capaz, no momento, de abraçar o destino para que foi forjado. Porém, o Português não pode, porque está estigmatizado, viver sem a presença, real ou imaginária, do Mito do Quinto Império, gravado a fogo nas Cinco Quinas da Bandeira Nacional.
Recordando nós que o mito é um relato que contém uma verdade, o Quinto Império é uma realidade a ser cumprida e essa é uma verdade que constitui algo de profundamente atávico no inconsciente colectivo do povo português. Isto quer dizer que o Português - aquele que ama e sente a sua pátria e se identifica com os seus antepassados históricos e míticos -, quer queira, quer não, tem o estigma do Quinto Império e no seu subconsciente sente-se directamente comprometido com a sua realização." - Eduardo Amarante
LANÇAR SEMENTES À TERRA PARA CUMPRIR A MISSÃO…
"Lançar à terra sementes para o futuro em tempo tão adverso quanto este em que vivemos, não é tarefa fácil, pois, hoje, e à semelhança do que aconteceu em outras épocas do passado, existem forças que impelem e lançam os seres humanos (e, por inerência, as nações) para várias direcções, perdendo-se, momentaneamente, o objectivo anteriormente traçado. É o desvario e cada qual tenta remediar o prejuízo da melhor maneira que pode e sabe. A este propósito lembro um trecho de Fernando Pessoa que diz o seguinte:
“Uma nação, em qualquer período, é três coisas: a primeira é uma relação com o passado; a segunda uma relação com o presente, nacional e estrangeiro; a terceira, uma direcção para o futuro. Assim, em todos os períodos, há forças que tendem a manter o que está, forças que tendem a adaptar o que existe às condições presentes, e forças que tendem a dirigir o presente para um norte previsto, visionado no futuro. Não se trata aqui de partidos políticos, mas de íntimas forças nacionais”.
Que forças são essas que nos projectam de um lado para o outro e confundem o nosso ponto de orientação? Se umas são do foro colectivo do povo, como sejam as nossas individualidades e identidades próprias, outras, porém, mais recentes (e talvez não tanto), são de outro tipo, visto serem importadas do exterior, imbuídas de elementos estranhos e totalmente alheios às nossas milenares tradições, que nos transpõem para outra realidade que nos é desconhecida. É o novo desafio, sem dúvida ameaçador, que se apresenta no nosso dia a dia e nos lança para uma nova aventura: a de sempre (re)descobrir-se como povo que é, com capacidade para conseguir levantar-se e renovar-se a cada momento na resolução dos problemas mais difíceis. E, neste caso muito concreto, o futuro para nós, como povo português, com uma identidade muito própria, é saber qual a possibilidade de realizar a almejada 3ª missão de Portugal no mundo.
Será possível que, com o desconcerto que vemos espalhar-se pelo mundo actual, Portugal possa pretender cumprir a missão que alimenta a alma dos poucos lusos que ainda lutam e resistem aos novos ventos de um mundo globalizante? Esta é uma pergunta que várias pessoas colocam e cuja resposta foi, de facto, o maior desafio que alguma vez me foi colocado, pois a pergunta vive oculta e pulsa no interior de cada português, aguardando a resposta que o faça vibrar, sonhar."
Eduardo Amarante
A LENDA DOS CHEROKEE
O pai leva o filho para a floresta, de olhos vendados, e deixa-o sozinho. Ele é obrigado a sentar-se no tronco de uma árvore durante toda a noite e não remover a venda até os raios do sol brilharem pela manhã. Não pode gritar nem pedir socorro a ninguém. Só após ter sobrevivido à noite, é que se transforma num homem.
Ele não pode contar aos outros meninos a sua experiência, porque cada jovem deve ser entronizado individualmente na sua própria masculinidade.
O menino estava naturalmente apavorado. Ele podia ouvir todos os tipos de ruídos, animais selvagens à sua volta. Talvez até mesmo alguns humanos a querer fazer-lhe mal. O vento soprava a relva e a terra, e sacudiu o tronco onde estava sentado, mas ele permaneceu impassível, sem nunca retirar a venda. Era a única maneira de se poder tornar um homem!
Finalmente, depois de uma noite horrível, o sol apareceu e o menino tirou a venda dos olhos. Foi então que viu o pai sentado no tronco a seu lado. Ele tinha estado ali a noite inteira, protegendo o seu filho do perigo.
Nós também nunca estamos sozinhos. Mesmo quando não sabemos, Deus está a olhar por nós, sentado no tronco ao nosso lado.
LEMBRE-SE SEMPRE: Só porque não podemos ver Deus, isso não significa que ele não esteja lá.
AS SETE VIRTUDES DO CAVALEIRO - Ideal da Cavalaria
"Todo o cavaleiro deve saber as sete virtudes, raiz e princípio dos bons costumes. São elas: fé, esperança, caridade, justiça, prudência, fortaleza e temperança.
• Pela fé, o cavaleiro vê espiritualmente Deus e as suas obras, crendo, desse modo, nas coisas invisíveis. Empunha a arma contra os inimigos da cruz e contra os maus que, por falta de fé, menosprezam os outros homens e os espoliam;
• Pela esperança, o cavaleiro lembra-se de Deus na batalha e nas atribulações. Com esta virtude ressurge e fortalece-se a coragem do cavaleiro, fazendo-o aventurar-se nos perigos em que se mete; em suma, fá-lo suportar a fome e a sede nos castelos e nas cidades que defende quando estes são assediados;
• Pela caridade, o cavaleiro amará a Deus e terá piedade dos homens infortunados e mercê de homens vencidos que pedem clemência. A caridade é o amor que torna leve o grande cargo da Cavalaria;
• Pela justiça, o cavaleiro é equânime e defende o bem contra o mal, a liberdade contra a opressão. A Cavalaria fundamenta-se na justiça; por isso, o cavaleiro que se faz a si próprio injurioso e é inimigo da justiça, renega e descrê da Ordem de Cavalaria;
• Pela prudência, o homem tem conhecimento do bem e do mal e possui a necessária sabedoria para amar o bem e lutar contra o mal. A prudência confere ao cavaleiro a mestria para evitar os danos corporais e espirituais. Muitas batalhas são vencidas mais por mestria e sensatez do que por grandes exércitos;
• Pela fortaleza, o cavaleiro é virtuoso, capaz de enfrentar e sair vencedor dos sete vícios ou pecados que o afastam do ideal da Cavalaria. São eles: gula, luxúria, avareza, preguiça, soberba, inveja e ira;
• A temperança é a virtude que está no meio de dois vícios: o pecado por excesso de grandeza e o outro que é o pecado por defeito. “Nada em excesso”, diziam os sábios gregos. O cavaleiro deve ser temperado em ardor e em comer, em beber, em falar, em vestir e em gastar, e em todas as outras coisas semelhantes a estas. Sem temperança não pode manter a honra da Cavalaria."
in Eduardo Amarante, "Templários", Vol. 1
O SONHO
"O sonho, que é a essência do ser português, move este último no sentido da realização, mas as suas raízes estão no mundo do Espírito. Neste sentido, a tríade pessoana de “Deus Quer / O Homem Sonha / A Obra Nasce” tem a sua representação simbólica no triângulo formado, de cima para baixo, pelo Mundo dos Arquétipos ou do Espírito, pelo Mundo da Psique ou da Alma e, por fim, pelo Mundo da Matéria, da plasmação da Ideia, do Arquétipo, do ensinamento esotérico.
Quando o Sonho é suficientemente grande e forte nasce a capacidade de agir, de se manifestar. Então a “Obra nasce”. Eis aí o Lugar Mágico por excelência, que não pode ser compreendido sem essas três chaves interpretativas ou atributos logóicos do Universo.
Tal como o macrocosmos, o homem, como microcosmos, é formado pelas mesmas três realidades, ou três mundos: 1) A realidade arquetípica ou espiritual que lhe é quase inacessível; 2) A realidade psíquica da Alma; 3) E a realidade física, em que a Alma está na encruzilhada, crucificada, entre o mundo espiritual ou arquetípico, representado pela linha vertical, e o mundo fenoménico, material ou físico, representado por uma linha horizontal. A intersecção destas duas linhas forma o símbolo iniciático da cruz. Por vezes, encontramos em muitos templos, na intersecção da nave com o transepto (homem de braços abertos, cuja cabeça é simbolizada pela ábside), um coração ou algo equivalente como, por exemplo, uma rosa, que representa o renascer, o corolário da nossa evolução, o reencontro com a nossa Alma imortal." Eduardo Amarante
Tal como o macrocosmos, o homem, como microcosmos, é formado pelas mesmas três realidades, ou três mundos: 1) A realidade arquetípica ou espiritual que lhe é quase inacessível; 2) A realidade psíquica da Alma; 3) E a realidade física, em que a Alma está na encruzilhada, crucificada, entre o mundo espiritual ou arquetípico, representado pela linha vertical, e o mundo fenoménico, material ou físico, representado por uma linha horizontal. A intersecção destas duas linhas forma o símbolo iniciático da cruz. Por vezes, encontramos em muitos templos, na intersecção da nave com o transepto (homem de braços abertos, cuja cabeça é simbolizada pela ábside), um coração ou algo equivalente como, por exemplo, uma rosa, que representa o renascer, o corolário da nossa evolução, o reencontro com a nossa Alma imortal." Eduardo Amarante
A RELIGIÃO DOS LUSITANOS
“A religião dos Lusitanos era panteísta, sendo mais que provável a existência de um “colégio” sacerdotal à semelhança do druidismo c
Os templos estavam quase sempre formados por grandes blocos de pedra não polida, abertos ao céu. As suas formas cultuais realizavam-se em torno de uma árvore sagrada: o carvalho ou azinheira, como aliás também acontecia com os druidas celtas.
in Eduardo Amarante, Universo Mágico e Simbólico de Portugal"
GUALDIM PAIS E A FUNDAÇÃO DA CIDADE DE TOMAR
1 de Março
de 1160 – Dia da Fundação de Tomar
Em
1160, D. Gualdim Pais fundou no alto do morro que fica em frente à antiga Sélio, situado próximo das margens do rio Nabão,
o castelo que havia de ser a sede da Milícia, assim como a vila que viria a
chamar-se Tomar, nome tomado da denominação que os Árabes davam ao rio.[1]
Gualdim Pais
fora um antigo companheiro de armas de D. Afonso Henriques, tendo, aos 21 anos,
participado na batalha de Ourique, onde foi armado cavaleiro. Partiu de seguida
como cruzado para a Palestina, onde se distinguiu na importante batalha de
Áscalon e na tomada de Sídon. Teria estado no cerco de Gaza e realizado
prodígios lendários. Na Terra Santa ingressou na Ordem do Templo, onde os seus
méritos o fizeram ascender aos altos cargos da hierarquia templária. Inspirado
no espírito interno da Ordem e compenetrado da sua dupla missão, material e
espiritual, regressou como monge-guerreiro a Portugal, tendo sido nomeado
comendador em Braga e depois em Sintra, sob o mestrado de D. Pedro Arnaldo.
Quando este renunciou, em 1157, Gualdim Pais[2]
tornou-se mestre da Ordem do Templo em Portugal.[3]
D. Afonso
Henriques tinha um profundo apreço pelo Mestre da Ordem e não foi por mero
acaso que em 1157 fez doação de muitos bens a Gualdim Pais, passando no ano
seguinte a carta de imunidade para a Ordem do Templo.
Assim, entre as vastas terras que possuía conta-se
Ceras, junto à antiga Nabância, com todo o seu vasto termo, desde o Mondego ao
Tejo, correndo pela linha do Zêzere. Como o castelo de Ceras, próximo de Tomar,
estava arruinado, Gualdim Pais optou pela edificação de uma nova fortaleza em
Tomar. Ali projectou instalar a sede principal da Ordem, até então em Braga.
Foi a 1 de Março de 1160 que Gualdim lançou a primeira pedra para a construção
do castelo de Tomar, futura sede da Ordem do Templo em Portugal.
In Eduardo Amarante, “Templários”, Vol. 2, “A Génese
de Portugal no Plano Peninsular e Europeu”
[1] Procedendo ao povoamento do lugar, um besteiro – conta a tradição –
ter-se-á oferecido a Gualdim Pais para lhe indicar um local que ele dizia ter
sido em tempos remotos “uma mui nobre
cidade dos cristãos, chamada Nabância”, terra de Santa Iria, onde houvera
um mosteiro de frades dos regrados,
isto é, de S. Bento, e uma “fortaleza dos
cristãos”. Portanto, povoação, castelo e mosteiro já não eram novos em
Tomar e foram reutilizados pelos cavaleiros templários.
De acordo com
as tradições visigóticas, Tomar era um ponto telúrico extremamente forte e a
sua região (que se estendia até Alcobaça e Óbidos, passando por Leiria) era
assaz propícia às empresas de ordem espiritual (incluindo nesta a
investigação), bem como à prosperidade material, graças à fertilidade das suas
terras.
[2] Ainda que não haja certezas a esse respeito, é provável que Gualdim Pais
tivesse ascendência borgonhesa e fosse filho de Hugo de Payns (um dos
cavaleiros fundadores da Ordem do Templo e Mestre da mesma Ordem). Pais seria, então, o aportuguesamento da
palavra Payns.
No entanto,
há autores que defendem que seria filho do barão Paio Ramires. O Livro de
Linhagens, atribuído ao conde D. Pedro, dá-lhe por mãe D. Gontrode Soares;
porém a sua autoridade é discutível, tanto mais que são nele constantes as
confusões e erros de filiação e consórcios.
[3] A este respeito não há opinião unânime sobre a ordem cronológica dos
Mestres da Ordem do Templo em Portugal. Há autores que referem que Gualdim Pais
foi o primeiro (em 1126), outros, porém, que é o segundo ou o quarto. Para A.
Quadros, ele foi, em 1158, o sexto.
A crer-se em
autores como Fr. António Brandão, Gualdim Pais já em meados de 1126 era Mestre
da Ordem do Templo em Portugal. Isto quereria dizer que estava, portanto,
introduzida em Portugal esta Ordem, fundada não havia uma década. Esta data é,
porém, discutível, uma vez que, tomando a defesa da praça de Tomar em 1190,
este “duro velho”, como lhe chama
Alexandre Herculano, teria então mais de 80 anos, o que parece pouco provável,
mas não impossível.
A NOSSA TERRA É SAGRADA
Carta do Chefe índio Seattle ao Grande Chefe de
Washington, Franklin Pierce, em 1854, em resposta à
proposta do Governo norte-americano de comprar grande
parte das terras da sua tribo Duwamish, oferecendo em
contrapartida a concessão de uma reserva.
Washington, Franklin Pierce, em 1854, em resposta à
proposta do Governo norte-americano de comprar grande
parte das terras da sua tribo Duwamish, oferecendo em
contrapartida a concessão de uma reserva.
Como podereis comprar ou vender o céu? Como podereis comprar
ou vender o calor da terra? A ideia parece-nos estranha. Se a
frescura do ar e o murmúrio da água não nos pertencem, como
poderemos vendê-los?
ou vender o calor da terra? A ideia parece-nos estranha. Se a
frescura do ar e o murmúrio da água não nos pertencem, como
poderemos vendê-los?
Para o meu povo, não há um pedaço desta terra que não seja
sagrado. Cada agulha de pinheiro cintilante, cada rio arenoso, cada bruma ligeira no meio dos nossos bosques sombrios são sagrados para os olhos e memória do meu povo.
sagrado. Cada agulha de pinheiro cintilante, cada rio arenoso, cada bruma ligeira no meio dos nossos bosques sombrios são sagrados para os olhos e memória do meu povo.
A seiva que corre na árvore transporta nela a memória dos PelesVermelhas, cada clareira e cada insecto que zumbe é sagrado para a memória e para a consciência do meu povo. Fazemos parte da terra e ela faz parte de nós. Esta água cintilante que desce dos ribeiros e dos rios não é apenas água; é o sangue dos nossos antepassados.
Os mortos do homem branco esquecem a sua terra quando
começam a viagem através das estrelas. Os nossos mortos, pelo
contrário, nunca se afastam da Terra que é Mãe. Fazemos parte dela.
começam a viagem através das estrelas. Os nossos mortos, pelo
contrário, nunca se afastam da Terra que é Mãe. Fazemos parte dela.
E a flor perfumada, o veado, o cavalo e a águia majestosa são nossos irmãos.
As encostas escarpadas, os prados húmidos, o calor do corpo do
cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família. Se vendermos esta terra, não ireis, decerto, ensinar aos vossos filhos que ela é sagrada. Como poderei dizer-vos que o murmúrio da água é a voz do pai do meu pai...
cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família. Se vendermos esta terra, não ireis, decerto, ensinar aos vossos filhos que ela é sagrada. Como poderei dizer-vos que o murmúrio da água é a voz do pai do meu pai...
Também os rios são nossos irmãos porque nos libertam da sede,
arrastam as nossas canoas, trazem até nós os peixes… E, além do mais, cada reflexo nas claras águas dos nossos lagos relata histórias e memórias da vida das nossas gentes. Sim, Grande Chefe de Washington, os nossos rios são nossos irmãos e saciam a nossa sede, levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos.
arrastam as nossas canoas, trazem até nós os peixes… E, além do mais, cada reflexo nas claras águas dos nossos lagos relata histórias e memórias da vida das nossas gentes. Sim, Grande Chefe de Washington, os nossos rios são nossos irmãos e saciam a nossa sede, levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos.
Se vos vendêssemos a nossa terra, teríeis de recordar e de
ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos e também seus.
ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos e também seus.
E é por isso que devem tratá-los com a mesma doçura com que se trata um irmão. Sabemos que o homem branco não percebe a nossa maneira de ser. Para ele um pedaço de terra é igual a um outro pedaço de terra, pois não a vê como irmã mas como inimiga.
Depois de ela ser sua, despreza-a e segue o seu caminho.
Depois de ela ser sua, despreza-a e segue o seu caminho.
Deixa para trás a campa dos seus pais sem se importar. Sequestra
a vida dos seus filhos e também não se importa. Não lhe interessa a campa dos seus antepassados nem o património dos seus filhos
esquecidos. Trata a sua Mãe Terra e o seu Irmão Firmamento como objectos que se compram, se exploram e se vendem tal como ovelhas ou contas coloridas. O seu apetite devora a terra, deixando atrás de si um completo deserto.
a vida dos seus filhos e também não se importa. Não lhe interessa a campa dos seus antepassados nem o património dos seus filhos
esquecidos. Trata a sua Mãe Terra e o seu Irmão Firmamento como objectos que se compram, se exploram e se vendem tal como ovelhas ou contas coloridas. O seu apetite devora a terra, deixando atrás de si um completo deserto.
Não consigo entender. As vossas cidades ferem os olhos do homem pele-vermelha. Talvez seja porque somos selvagens e não podemos compreender. Não há um único lugar tranquilo nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desenrolar das folhas ou o rumor das asas de um insecto na Primavera.
O barulho da cidade é um insulto para o ouvido. E eu pergunto-me:
que tipo de vida tem o homem que não é capaz de escutar o grito
solitário de uma garça ou o diálogo nocturno das rãs em redor de uma lagoa? Sou um pele-vermelha e não consigo entender. Nós preferimos o suave murmúrio do vento sobre a superfície de um lago, e o odor deste mesmo vento purificado pela chuva do meio-dia ou perfumado com o aroma dos pinheiros.
que tipo de vida tem o homem que não é capaz de escutar o grito
solitário de uma garça ou o diálogo nocturno das rãs em redor de uma lagoa? Sou um pele-vermelha e não consigo entender. Nós preferimos o suave murmúrio do vento sobre a superfície de um lago, e o odor deste mesmo vento purificado pela chuva do meio-dia ou perfumado com o aroma dos pinheiros.
Quando o último pele-vermelha tiver desaparecido desta terra,
quando a sua sombra não for mais do que uma lembrança, como a de uma nuvem que passa pela pradaria, mesmo então estes ribeiros e estes bosques estarão povoados pelo espírito do meu povo. Porque nós amamos esta terra como uma criança ama o bater do coração da sua mãe.
quando a sua sombra não for mais do que uma lembrança, como a de uma nuvem que passa pela pradaria, mesmo então estes ribeiros e estes bosques estarão povoados pelo espírito do meu povo. Porque nós amamos esta terra como uma criança ama o bater do coração da sua mãe.
Se decidisse aceitar a vossa oferta, teria de vos sujeitar a uma
condição: que o homem branco considere os animais desta terra como irmãos.
condição: que o homem branco considere os animais desta terra como irmãos.
Sou selvagem e não compreendo outra forma de vida. Tenho visto
milhares de búfalos a apodrecer, abandonados nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco que dispara de um comboio que passa. Sou selvagem e não compreendo como uma máquina fumegante pode ser mais importante que o búfalo, que apenas matamos para sobreviver.
milhares de búfalos a apodrecer, abandonados nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco que dispara de um comboio que passa. Sou selvagem e não compreendo como uma máquina fumegante pode ser mais importante que o búfalo, que apenas matamos para sobreviver.
Tudo o que acontece aos animais acontecerá também ao homem.
Todas as coisas estão ligadas. Se tudo desaparecer, o homem pode morrer numa grande solidão espiritual. Todas as coisas se interligam.
Todas as coisas estão ligadas. Se tudo desaparecer, o homem pode morrer numa grande solidão espiritual. Todas as coisas se interligam.
Ensinai aos vossos filhos o que nós ensinamos aos nossos sobre a terra: que a Terra é nossa Mãe e que tudo o que lhe acontece a nós acontece aos filhos da terra.
Se o homem cuspir na terra, cospe em si mesmo. Sabemos que a
terra não pertence ao homem, mas que é o homem que pertence à
terra. Os desígnios terrenos são misteriosos para nós. Não
compreendemos por que os bisontes são todos massacrados, por que são domesticados os cavalos selvagens, nem por que os lugares mais secretos dos bosques estão impregnados do cheiro dos homens, nem por que a vista das belas colinas está guardada pelos “filhos que falam”.
terra não pertence ao homem, mas que é o homem que pertence à
terra. Os desígnios terrenos são misteriosos para nós. Não
compreendemos por que os bisontes são todos massacrados, por que são domesticados os cavalos selvagens, nem por que os lugares mais secretos dos bosques estão impregnados do cheiro dos homens, nem por que a vista das belas colinas está guardada pelos “filhos que falam”.
Talvez um dia sejamos irmãos. Logo veremos. Mas estamos certos de uma coisa que talvez o homem branco descubra um dia: o nosso Deus é um mesmo Deus. Agora podeis pensar que Ele vos pertence, da mesma forma que acreditais que as nossas terras vos pertencem. Mas não é assim. Ele é o Deus de todos os homens e a sua compaixão alcança por igual o pele-vermelha e o homem branco.
Esta terra tem um valor inestimável para Ele e maltratá-la pode provocar a ira do Criador. Que é feito dos bosques profundos?
Desapareceram. Que é feito da grande águia? Desapareceu também.
Mas o homem não teceu a trama da vida: isto sabemos. Ele é apenas um fio dessa trama. E o que faz a ela fá-lo a si mesmo.
Também os brancos se extinguirão, talvez antes das outras tribos.
O homem não teceu a rede da vida. É apenas um fio e está a desafiar a desgraça se ousar destruir essa rede. Tudo está relacionado entre si como o sangue de uma família. E, se sujardes o vosso leito, uma noite morrereis sufocados pelos vossos excrementos. Assim se acaba a vida e só nos restará a possibilidade de tentar sobreviver.
O homem não teceu a rede da vida. É apenas um fio e está a desafiar a desgraça se ousar destruir essa rede. Tudo está relacionado entre si como o sangue de uma família. E, se sujardes o vosso leito, uma noite morrereis sufocados pelos vossos excrementos. Assim se acaba a vida e só nos restará a possibilidade de tentar sobreviver.
OS FILHOS DA VERDADE
O conde de Saint-Germain afirmou:
“Os filhos da verdade são combatidos em qualquer parte como seres perigosíssimos. A humanidade só acolhe bem os que a enganam, a perdem e a sacrificam!”
Elevando-se a alturas espirituais desconhecidas do comum dos mortais, alguns desses seres tiveram de se sacrificar por uma humanidade ignorante, cuja ingratidão não fez diminuiu em nada o amor e compaixão que por ela sempre manifestaram, a tal ponto que, em momentos de extremo suplício vêem cumprido o aforismo oriental de que o sândalo é tão admirável que até perfuma o machado que o corta.
in "PROFECIAS - da Interpretação do Fim do Mundo à Vinda do Anticristo", Eduardo Amarante
Elevando-se a alturas espirituais desconhecidas do comum dos mortais, alguns desses seres tiveram de se sacrificar por uma humanidade ignorante, cuja ingratidão não fez diminuiu em nada o amor e compaixão que por ela sempre manifestaram, a tal ponto que, em momentos de extremo suplício vêem cumprido o aforismo oriental de que o sândalo é tão admirável que até perfuma o machado que o corta.
in "PROFECIAS - da Interpretação do Fim do Mundo à Vinda do Anticristo", Eduardo Amarante
ADAM WEISHAUPT E A NOVA ORDEM MUNDIAL
Dizia Platão: “Muitos odeiam a tirania apenas para que possam estabelecer a sua.”
Os planos da Nova Ordem
Mundial consistem em seis objectivos:
• A abolição da monarquia e de todos os
governos constituídos;
• A abolição da propriedade privada;
• A abolição da
herança;
• A abolição do patriotismo;
• A abolição da família;
• E, por fim, a
abolição de todas as religiões.
A fim de levar a cabo esse plano, Weishaupt
entendeu que precisava de se associar a alguma força oculta para destruir a
civilização ocidental, fundamentalmente cristã. A sua organização necessitava
de um símbolo e Weishaupt criou o “olho que tudo vê” no cimo de uma pirâmide
incompleta, dentro de um círculo. No alto do círculo acham-se escritas as
palavras ‘Annuit Coeptus’ que, em latim, significa ‘Anunciando o nascimento de’
e na parte inferior do círculo estão as palavras latinas ‘Novus Ordo Seclorum’ que,
como já dissemos, significa ‘Nova Ordem Mundial’. Weishaupt planeou, então, a
queda de todos os governos e a sua substituição pelo sistema global. E lançou
os alicerces para destruir os governos ocidentais, substituindo-os por um novo
governo global, chamado Nova Ordem Mundial. Para a prossecução dos seus fins,
Weishaupt aliou-se à Maçonaria, que ele entendeu poder vir a ser uma aliada
potencialmente forte na sociedade.
in "PROFECIAS - Da Interpretação do Fim
do Mundo à Vinda do Anticristo", Eduardo Amarante
RAINHA SANTA ISABEL E D. FILIPA DE LENCASTRE - DUAS MÃES E EDUCADORAS DE EXCELÊNCIA
Ambas acreditaram num Ideal, viveram-no durante toda a vida e foram um exemplo disso. Duas vias, dois caminhos, um mesmo e único objectivo: educar as crianças com base em princípios éticos e espirituais de molde a criar os alicerces para um mundo melhor.
Se queremos um mundo melhor – e nós queremos –, teremos de começar pelas raízes, isto é, pela educação desde o berço, na qual a Mulher tem um papel primordial. Importa recordar que EDUCAR, etimologicamente, significa “conduzir para fora” (ex ducere), ou seja, trazer para fora (maiêutica) tudo de bom que a nossa alma encerra e isso é a verdade, a bondade, a generosidade e o altruísmo.
in Eduardo Amarante, "Templários", Vol 4.
in Eduardo Amarante, "Templários", Vol 4.
OS TEMPLÁRIOS SOBREVIVERAM NA ORDEM DE CRISTO
Pela bula Ad ea exquibus cultus augeatur divinus… o papa João XXII proclama em Avinhão, a 14 de Março de 1319, o estabelecimento de uma nova Ordem de cavalaria, a Ordem da Milícia de Jesus Cristo, que viria a suceder à extinta Ordem do Templo.
Entre os inúmeros pontos da extensa bula cabe destacar o seguinte: “Outorgava, doava, unia, incorporava, anexava e aplicava para todo o sempre à dita Ordem de Jesus Cristo: Tomar, Castelo Branco, Almourol e todos os outros castelos, fortalezas e outros bens móveis e de raiz, homens, etc., etc., que a Ordem do Templo tinha e havia e devia ter nos ditos reinos de Portugal e Algarves”. Trata-se da demonstração inequívoca de que esta nova Ordem de cavalaria era a continuação evidente da Ordem do Templo!
in Eduardo Amarante, "Templários", Vol. 4.
in Eduardo Amarante, "Templários", Vol. 4.
O REGRESSUS AD UTERUM E O NOVO NASCIMENTO
Estácio da Veiga cita que em Torre de Frades, Algarve, “o sistema de enterramento em tão apertado espaço, tendo sido o da inumação, só pode conceber-se que tivesse podido efectuar-se com os cadáveres dobrados pelas articulações dos fémures e encostados em torno do espaço escavado”.
Vestígios destes ritos fúnebres de significado mágico-religioso, encontram-se em inúmeras sepulturas neolíticas onde havia o costume de lançar no túmulo uma pedra arredondada por cada um dos assistentes ao enterro. Hoje em dia ainda se mantém a tradição de se lançar um punhado de terra no acto da inumação do cadáver. Este costume, de traços acentuadamente “pagãos”, simboliza o grão que, semeado na Terra-Mãe, é por ela recoberto a fim de, nas suas entranhas, dar início ao processo de gestação que culminará num novo nascimento. Está, portanto, presente a ideia do re-nascer de acordo com os próprios ciclos da Natureza. Ideia essa mais viva em inúmeras culturas tradicionais que, como acabámos de ver, inumavam o cadáver em posição de cócoras ou fetal, representado ritualmente o regressus ad uterum.
In “Universo Mágico e Simbólico de Portugal”, Eduardo Amarante
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Descoberta sepultura com 8 mil anos em escavações em Alcácer do Sal, com esqueletos em posição fetal, símbolo do renascimento! “Uma sepultura com cerca de 8000 anos foi descoberta por uma equipa da Universidade de Lisboa e da Universidade de Cantábria no sítio arqueológico das Poças de S. Bento, em Alcácer do Sal. A Universidade de Lisboa indica num comunicado que a sepultura do Mesolítico foi "identificada esta semana" e "parece corresponder a uma mulher jovem, depositada sobre as costas, com as pernas fortemente flectidas". "Esta descoberta permitirá obter informação detalhada acerca do comportamento funerário destes grupos, das suas actividades rituais", adianta. A universidade informa ainda que o esqueleto humano, em "bom estado de conservação", será alvo de análises em laboratório, de ADN, dos "isótopos estáveis de carbono e nitrogénio presentes nos ossos", de "datação de Carbono 14" e de estudos paleopatológicos. "As análises serão realizadas, na sua maior parte, nos laboratórios das Universidades da Cantábria, de Oxford e de Lisboa, e no Instituto Max-Planck, de Leipzig", indica. As escavações que permitiram a localização da sepultura são dirigidas pelos professores Mariana Diniz, da Universidade de Lisboa, e Pablo Arias, da Universidade da Cantábria. Os trabalhos inserem-se no projecto SADO-MESO, "orientado para a revisão sistemática do Mesolítico e Neolítico do vale do Sado".” Lusa/SOL
Vestígios destes ritos fúnebres de significado mágico-religioso, encontram-se em inúmeras sepulturas neolíticas onde havia o costume de lançar no túmulo uma pedra arredondada por cada um dos assistentes ao enterro. Hoje em dia ainda se mantém a tradição de se lançar um punhado de terra no acto da inumação do cadáver. Este costume, de traços acentuadamente “pagãos”, simboliza o grão que, semeado na Terra-Mãe, é por ela recoberto a fim de, nas suas entranhas, dar início ao processo de gestação que culminará num novo nascimento. Está, portanto, presente a ideia do re-nascer de acordo com os próprios ciclos da Natureza. Ideia essa mais viva em inúmeras culturas tradicionais que, como acabámos de ver, inumavam o cadáver em posição de cócoras ou fetal, representado ritualmente o regressus ad uterum.
In “Universo Mágico e Simbólico de Portugal”, Eduardo Amarante
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Descoberta sepultura com 8 mil anos em escavações em Alcácer do Sal, com esqueletos em posição fetal, símbolo do renascimento! “Uma sepultura com cerca de 8000 anos foi descoberta por uma equipa da Universidade de Lisboa e da Universidade de Cantábria no sítio arqueológico das Poças de S. Bento, em Alcácer do Sal. A Universidade de Lisboa indica num comunicado que a sepultura do Mesolítico foi "identificada esta semana" e "parece corresponder a uma mulher jovem, depositada sobre as costas, com as pernas fortemente flectidas". "Esta descoberta permitirá obter informação detalhada acerca do comportamento funerário destes grupos, das suas actividades rituais", adianta. A universidade informa ainda que o esqueleto humano, em "bom estado de conservação", será alvo de análises em laboratório, de ADN, dos "isótopos estáveis de carbono e nitrogénio presentes nos ossos", de "datação de Carbono 14" e de estudos paleopatológicos. "As análises serão realizadas, na sua maior parte, nos laboratórios das Universidades da Cantábria, de Oxford e de Lisboa, e no Instituto Max-Planck, de Leipzig", indica. As escavações que permitiram a localização da sepultura são dirigidas pelos professores Mariana Diniz, da Universidade de Lisboa, e Pablo Arias, da Universidade da Cantábria. Os trabalhos inserem-se no projecto SADO-MESO, "orientado para a revisão sistemática do Mesolítico e Neolítico do vale do Sado".” Lusa/SOL
TER ORGULHO NO NOSSO PASSADO HISTÓRICO
"Não podemos, não devemos e não temos razão para não nos orgulharmos do nosso passado e ganhar, assim, alento e ânimo para o futuro que nos espera: a realização da missão de que somos herdeiros. Portugal ou a Lusitânia refundada não nasceu fruto do acaso.
Não temos de ter complexos e menos ainda vergonha de termos sido grandes e, sobretudo, não nos culpabilizem de termos tido líderes, homens de escol, que tão sabiamente souberam dirigir os destinos do país. E, neste caso, o futuro será o melhor juiz.
Que fazer para viabilizar a reconstrução de um país quando todos os esforços se disseminam, uns na indiferença, outros na separatividade (apesar de se falar tanto de globalização), na luta entre facções, em vez de convergirem num só sentido, num sentimento de unidade e afirmação do país face a outros que desejam ser os senhores do mundo?
A resposta não é fácil porque, se há coisa que trava essa reconstrução, é a doença de que padecemos: a perda progressiva da identidade. Não obstante, todos nós temos uma identidade que nos é dada no acto de nascer e, na medida do possível, somos livres de mudá-la quando quisermos.
Quando um homem se identifica com o seu passado histórico e com a herança dos seus predecessores sabe bem que é em momentos de profunda crise que deve afirmar a sua história e, nesse instante, ele torna-se uma parte da encarnação histórica da sua pátria e consegue, assim, religar o elo perdido, não rompendo, desse modo, a cadeia ancestral.
Na nossa história, e à semelhança da história das outras nações, é na adversidade que se forjam os verdadeiros homens e mulheres capazes de identificar o seu destino com a cultura do seu povo, do seu país." - Eduardo Amarante
in "PORTUGAL - A MISSÃO QUE FALTA CUMPRIR"
BONS E MAUS GOVERNANTES
Conta-se que um dia em que o Inca Pachacutec, acompanhado pela sua corte, percorria o Império deparou-se no caminho com um aguará (espécie de raposa grande, inofensiva, existente na América do Sul) que estava preso na lama. As pessoas que por ali passavam batiam-lhe ou atiravam-lhe pedras, amedrontando o animal, que acabou por ficar enlouquecido devido aos maus tratos que lhe infligiam.
Pachacutec, ao vê-lo, desceu da liteira em que viajava, aproximou-se do aguará, tirou-o da lama e aconchegou-o nos seus braços. Assustado, o primeiro impulso do animal foi morder o Inca. Logo surgiu a guarda imperial que se preparou para matar de imediato o animal. Mas Pachacutec, com um sinal firme, impediu-a que o fizesse. Continuou a acariciar o animal até que este adormeceu nos seus braços. Aí, então, Pachacutec proferiu o seguinte ensinamento:
“Este aguará é como os povos quando são torturados e flagelados por maus governantes. Se depois vem um bom governo, o povo, julgando que é igual ao anterior, vira-se e morde a mão daquele que lhe faz bem. Não se deve reagir dizendo: ‘este povo é mau’; pelo contrário, há que continuar a fazer-lhe o bem até que ele se convença que mudou de amo.”
in "O Império do Sol - Breve História dos Incas", Eduardo Amarante
SIGNIFICADO SIMBÓLICO DO TOURO E DO JAVALI NA LUSITÂNIA
O facto de se ter encontrado no Promontório Sagrado figuras em bronze de touro e javali, com a particularidade de haver dados suficientes para se poder afirmar, como demonstra Leite de Vasconcelos, que estes animais faziam parte dos cultos religiosos, é mais um indício, assaz relevante, quanto à sacralidade do lugar.
Símbolo da força criadora, o touro é o animal consagrado ao deus EL (Kronos?). Nos cultos mithríacos ele está associado à iniciação pelo baptismo de sangue. Para Jung, o sacrifício do touro “representa o desejo de uma vida espiritual que permitiria ao homem triunfar sobre as suas paixões animais primitivas e que, após uma cerimónia de iniciação, dar-lhe-ia a paz.” Esta interpretação é análoga ao significado simbólico do Minotauro morto por Teseu no centro do labirinto.
Quanto ao javali, ele representa a autoridade espiritual, e é um símbolo da casta sacerdotal, ao contrário de Artos, o urso, emblema do poder temporal. É o animal consagrado a Lug, na Gália, e a Endovélico, na Lusitânia. A esta divindade está associado o lobo ou cão psicopômpico, portanto com uma função iniciática e solar, pois considerava-se este animal pelo seu poder de ver nas trevas, como aliás Anubis no Egipto ou o cão Xolotl no México pré-colombiano.
O lobo também estava associado a Apolo, o deus-Sol que presidia aos mistérios de Delfos, como podemos ver pela relação existente entre lukos = lobo e luke = luz.
Para certos investigadores, o nome epónimo e mítico Lusus estaria directamente relacionado com a Luz espiritual e teria perdurado no tempo como uma recordação daquele imenso saber outrora acumulado no Ocidente e transplantado posteriormente para Luksor, no Egipto.
in "UNIVERSO MÁGICO E SIMBÓLICO DE PORTUGAL", Eduardo Amarante
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