OS TEMPLÁRIOS NA FUNDAÇÃO DE PORTUGAL


"A fundação de Portugal deveu-se muito à Ordem do Templo e, sobretudo, a S. Bernardo, seu mentor que, situado em terras de Claraval, não deixava de orientar política e espiritualmente os templários, que lutavam pela fé cristã. Desse modo, Portugal, emergindo como nação, tornou-se um objectivo primordial no quadro de uma nova Europa que pretendiam construir – longe das querelas que a minavam por dentro –, com gente valorosa que pudesse servir os intentos do monge cisterciense." - Eduardo Amarante

OS TEMPLÁRIOS, AS ENERGIAS TELÚRICAS E A PEDRA DO GRAAL


“Os templários possuíam o conhecimento de determinados lugares sagrados, como pontos de acesso às energias telúricas, presumivelmente herdados dos chamados mestres secretos ou Homens Sábios do Mundo, que seriam um grupo de discípulos de Cristo, os carpocracianos, a quem Ele ensinara o domínio de um poder misterioso retirado da Terra. O interesse dos templários, por exemplo, por Chartres trouxe à luz do dia os mistérios das correntes telúricas, linhas de força que percorrem a Terra em várias direcções e cujas influências, quando bem canalizadas, são propícias ao desenvolvimento espiritual do homem. Esta força, já conhecida há milénios, recebeu muitas designações ao longo dos séculos: energia vital, para os chineses; prana, para os hindus; e mana para os polinésios que acreditavam ter sido utilizada para erigir as estátuas da Ilha da Páscoa. Mantida secreta na Idade Média por ordens como a dos templários e a dos cavaleiros teutónicos, a força foi, mais tarde, publicamente revelada por alquimistas como Paracelso e Van Helmont, que a designaram por munis e magnale magnum, respectivamente.


Se as linhas são portadoras de energias misteriosas (sobre as quais desconhecemos a sua utilidade, poder e funcionalidade), então o desequilíbrio de tal sistema só poderia ser rectificado através da sua reactivação por meio de uma pedra sagrada, que seria colocada na montanha sagrada do local. Os poderes desta pedra (também chamada Pedra Filosofal ou Pedra do Graal) eram importantes para o controlo das energias da Terra e, se alguma vez se revelasse o segredo a alguém de má fé, este utilizaria incorrectamente e para o mal tal energia. Daí que, ao longo dos séculos, estas ideias tivessem sido guardadas por “iniciados” (os que possuem o verdadeiro conhecimento e agem em conformidade), que as transmitiam, de geração em geração, apenas àqueles que jamais as divulgariam. Sabemos que o uso indevido de correntes de pensamento hostis, através deste sistema de linhas, trazia consigo consequências terríveis.”

In Eduardo Amarante, “Templários”, vol. 1

A VIRGEM NEGRA DE GUADALUPE



“O culto das Virgens Negras está associado às energias telúricas que serpenteiam a Terra e aos pontos onde se cruzam as energias cósmicas com as energias telúricas, bem como às forças da natureza e a locais específicos de onde estas emanavam, em especial grutas e cavernas.
Diz-se que o culto à Virgem Negra de Guadalupe, na Raposeira, terá tido o seu início após a batalha do Salado, no séc. XIV. Contudo, pensamos que o culto é muito anterior a essa data, por várias razões, uma das quais é a lenda ou história velada que afirma que um grupo de monges-guerreiros templários, aquando da fuga de França em 1307, durante as perseguições à Ordem do Templo levadas a cabo por Filipe IV, o Belo, transportaram consigo o tesouro de conhecimentos esotéricos da Ordem do Templo, constituindo o seu destino final um segredo bem preservado. Como se sabe, a Ordem do Templo foi protegida em Portugal pelo Rei D. Dinis que a transformou em Ordem de Cristo, de que foi governador o Infante D. Henrique. Não terá sido, certamente, por acaso, que o Infante escolheu o lugar mágico da Raposeira como pouso durante as suas longas estadias de contemplação e estudo no Promontório Sagrado (Sagres).” – Eduardo Amarante

SINAIS SIMBÓLICOS NO CASTELO DE TOMAR E SUA CHAROLA


Tomar renasceu com a Ordem. Desde a época romana, passando pela muçulmana, aquele lugar tinha tido uma continuidade de ocupação que incluía estruturas militares defensivas. Correia de Cam
pos havia já detectado um troço de muralha datada da época muçulmana no castelo de Tomar.
Tomar, pela sua importância estratégica, não só para a Ordem do Templo, como também para a implantação e solidificação de um país, veio a tornar-se a 2ª província templária do mundo, logo a seguir a Gisors, em França.
Em Tomar, os cavaleiros templários edificaram um templo sobre planta circular, envolvendo um santuário octogonal. Essa charola abobadada era, como alguns templos cristãos do Oriente, inspirada na Mesquita de Omar, melhor dito, na Cúpula da Roca ou Templo do Senhor, em Jerusalém, onde a Ordem do Templo foi fundada. A charola é rica em elementos simbólicos que devem ser tomados em conta pelo estudioso da matéria. São eles os seguintes:
• À volta da charola abre-se toda urna geografia sagrada com sinais reveladores da mística e dos objectivos templários;
• o alinhamento da charola com um dos ângulos do castelo indica-nos a estrela Arcturo da constelação do Boieiro, que não é mais do que uma evidente analogia com o mito do rei Artur e a mítica espada Excalibur;
• A intrigante representação de S. Cristóvão, numa das paredes internas da charola, com cabeça de cão, à semelhança do deus egípcio Anubis, divindade de ligação entre duas dimensões, é equivalente ao deus lusitano Endovélico, Lug e Hermes;

Igualmente encontramos outros sinais simbólicos em outras áreas do castelo de Tomar:
• A presença das fases alquímicas e do mercúrio filosófico;
• O medalhão visível do Hermes Trismegisto que representa o mercúrio filosófico nas suas três fases;
• Uma mão insculpida com um dedo intencionalmente comprido como que a indicar-nos o caminho. Este sinal encontra-se num dos claustros do actual convento de Cristo;
• A presença de um desenho que representa um machado duplo idêntico aos que existiam em Creta, e aos machadinhos místicos dos essénios no tempo de Jesus;
• A charola constituía o centro, a partir do qual partia uma estrada de apoio ao caminho de Santiago, e outra para sul com o propósito de proteger militarmente as fundações beneditinas e cistercienses. Uma outra via, passando por Coimbra e Guarda, dirigia-se para Salamanca e Valladolid;
• Por fim, o enigmático navegador esculpido na famosa janela manuelina.

In Eduardo Amarante, "Templários", Vol. 2

O PAPEL DA MULHER ENTRE OS CELTAS E NA IDADE MÉDIA



Entre os celtas, as mulheres participavam nos conselhos onde se decidia a guerra ou a paz. Elas podiam desempenhar funções reais ou sacerdotais, e até mesmo comandar exércitos. A iniciação 
dos jovens guerreiros era muitas vezes assumida pelas mulheres. Os celtas só atribuíam a dignidade de chefe ao pai de família, desde que este fosse de uma classe social (por nobreza ou riqueza) igual ou superior à da esposa. Caso contrário era ela que exercia a autoridade.
Na época das cruzadas e das catedrais, as coisas não haviam mudado. A ideia da castelã que usava o cinto de castidade e aguardava pelo seu marido nas cruzadas, enquanto fiava, foi um facto que existiu, mas estava longe de ser um caso generalizado. Muitos cavaleiros e príncipes partiram para as cruzadas acompanhados de suas esposas e filhos. Quanto às damas que ficavam no país, elas administravam o feudo.
É um facto que durante a Idade Média muitos casamentos eram fabricados desde o berço. Contudo, quer se tratasse de rapaz ou rapariga, não havia discriminação sexual. Ambos podiam ser vítimas desse tipo de situação.
No tempo de Luís IX de França (1214-1270), o rei que exercia a justiça debaixo de um carvalho (como os celtas), há exemplos de mulheres que votavam como os homens nas assembleias urbanas ou rurais, exactamente como faziam os celtas da Gália antes da conquista romana.
Durante a Idade Média, o ensino das crianças era ministrado quer por religiosos quer por laicos, quer por homens quer por mulheres, e indistintamente às raparigas e aos rapazes nas mesmas escolas. Só a partir do século XVI é que apareceu a ideia segundo a qual as raparigas não tinham necessidade de saber ler nem escrever. Foi também no século XVI que reapareceu a escravatura, após ter sido abolida no século V.
In Eduardo Amarante, “Templários”, Vol. 3

TOMAR, SAGRES E AS GRANDES DESCOBERTAS MARÍTIMAS



Em 1416, o Infante D. Henrique dividia o seu tempo entre o castelo de Tomar, sede da Ordem, e a vila de Lagos, no Algarve. Em Tomar, administrava as finanças, a diplomacia e a carreira dos pilotos iniciados nos segredos do empreendimento marítimo. Inclusivamente, o castelo era um cofre de recursos e de informações secretas. Por sua vez, Lagos e a Vila do Infante , junto a Sagres, funcionavam como escola e base naval.


Assim, o Infante D. Henrique viveu tanto em Sagres como em Tomar, preparando-se espiritualmente para a grande gesta das Descobertas. Nesta cidade teve início uma das maiores aventuras da humanidade, a fazermos fé no que disse o ilustre historiador Arnold Toynbee:


“Depois de Cristo, o maior acontecimento da História são as Descobertas.”


Essa aventura encontra na mística e no culto do Espírito Santo uma das suas mais fortes razões de ser. Como diz Anselmo Borges:


“Ora, na génese da aventura marítima não estão razões apenas de ordem material. É que, se estas são as mais urgentes, não são as fundamentais. Sem a mística e o culto do Espírito Santo, os Descobrimentos não têm plena inteligibilidade.”


Foi em Tomar que o Infante D. Henrique concebeu e amadureceu a ideia das explorações marítimas. Aí teve início a gesta náutica que levou as caravelas portuguesas “por mares nunca dantes navegados”, ostentando nas suas velas o símbolo da Ordem de Cristo. Como afirma Amorim Rosa:


“Se Sagres foi a mão que lançou ao mar as caravelas das Descobertas, Tomar foi o cérebro que organizou as expedições e o alfobre de onde saíram os primeiros capitães das naus. E a Ordem de Cristo foi a fonte de onde jorrou todo o oiro necessário para alimentar tão grande empresa.”


Em Tomar, o Infante D. Henrique mandou “cada semana, ao sábado, por sempre em minha vida e depois da minha morte dizer uma missa de Santa Maria, e a comemoração seja do Espírito Santo.”


In Eduardo Amarante, “Templários”, vol. 3

A CHAROLA DE TOMAR, TEMPLO DE INICIAÇÕES



“Tudo indica que os cavaleiros templários usavam o Templo para iniciações de cavaleiros. Na ausência de porta para o exterior, de acordo com as fontes documentais, a entrada fazia-se pelos subterrâneos, onde os candidatos teriam de passar pela prova dos quatro elementos. “Esta prova, refere Paraschi, constitui a base de qualquer iniciação e no cristianismo foi consubstanciada no Mistério do Baptismo”. Um dos acessos para os subterrâneos do convento situa-se algures na parede do poço que se encontra no pátio de entrada do Seminário. (*)
A sala do Capítulo do convento de Cristo em Tomar, centro intelectual e espiritual da futura Ordem de Cristo, abria-se inicialmente para o exterior através de quatro janelas que simbolizavam, precisamente, os quatro elementos da natureza.

(*) Pessoalmente visitei no local, em 1991, acompanhado por um funcionário do IPAAR, uma câmara subterrânea com vestígios numa das paredes de ter havido aí uma entrada que foi posteriormente tapada com entulho e pedras. O mesmo sucede na capela subterrânea da torre de D. Catarina (uma das torres da muralha do Castelo de Tomar) em que é visível a existência de uma porta que dava acesso a um túnel e que se encontra desde há anos (ou séculos) completamente tapada. Nos anos oitenta tive a felicidade de visitar por mais de uma vez esta capela subterrânea. Nos inícios dos anos noventa já se encontrava completamente vedada, mesmo aos mais arrojados. Diz-se que estes subterrâneos no interior do castelo comunicavam entre si e com a Igreja de Santa Maria do Olival, igreja matriz dos templários, onde, nos anos quarenta, foi colocada uma enorme lápide na entrada do túnel situada na nave, próximo do altar-mar, que, bifurcando-se, conduzia, por um lado ao mosteiro feminino de Santa Iria e, por outro, chegava até à Praça da República (onde se encontra a igreja de S. João Baptista), passando por baixo da Rua da Corredoura (actual Rua Serpa Pinto). Daí seguia seguramente para o interior do castelo, não fosse, à semelhança de outros subterrâneos, encontrar-se tapado.” – Eduardo Amarante, in "Templários", vol 2