O REGRESSO AO SAGRADO

"Falar sobre o Sagrado nos dias de hoje não é tarefa fácil, porquanto vivemos numa sociedade fortemente comercialista que tudo consome, até mesmo a literatura mais profundamente religiosa e espiritual. Tudo é pretexto para se fazer comércio. Quando assim acontece resulta difícil a verdadeira comunicação entre as pessoas, pois a margem é perigosamente estreita para se falar daquilo que é essencialmente importante: a nossa identidade humana, o que somos, o que queremos e para onde vamos.
A clássica atitude filosófica do espanto, da humildade, em suma, do amor à sabedoria, são virtudes hoje praticamente descartáveis. Porém, são estas mesmas virtudes primárias que nos possibilitam o retorno às Coisas Sagradas. Há que ter a consciência de que o homem sem a dimensão do sagrado perde a sua própria identidade de Ser." - Eduardo Amarante




EM DEFESA DA NOSSA IDENTIDADE



"As gerações de hoje deverão ter a coragem, a determinação necessária para defenderem o seu património histórico, a sua identidade, a sua enriquecedora diferença em relação a outras culturas, a outras identidades, para que no futuro todos possam beneficiar de uma autêntica e salutar convivência mútua, respeito e verdadeira fraternidade. Apesar do mito actual, recém-formado, do mundo global (que em termos práticos é a desagregação da identidade das nações), é necessário engenho e coragem política para lutar com honra e verdade contra quem quiser submergir qualquer nação que seja na teia de interesses inconfessáveis que anulam no ser humano a sua dimensão histórica e espiritual." - Eduardo Amarante

OS TEMPOS QUE AÍ VÊM...


“Os ideais de progresso material do século passado falharam.

O progresso actualmente está em regressão: fecham-se fábricas, aumenta o número de desempregados, escasseiam a energia e as matérias-primas; as habitações (muitas por estarem com preços inflaccionários), as escolas, os hospitais, etc., não acompanham o ritmo de crescimento demográfico; as condições de vida degradam-se paulatinamente; o aumento da delinquência torna-nos, dia para dia, mais inseguros e desconfiados; o espectro de uma guerra nuclear obriga alguns governos, e também muitos particulares, a gastarem avultadas somas de dinheiro na construção de abrigos, quantias essas que, se não se alimentassem as guerras, poderiam muito bem ser canalizadas para o combate efectivo à fome e à miséria humanas.
Assim, a crise do sistema é total, estando este caduco porque se revelou incapaz de resolver os problemas básicos da existência humana. O suporte para a sobrevivência humana falhou. Em vão se dilapidaram as energias e as potencialidades herdadas. A insegurança, o descrédito e a incapacidade das pessoas para a resolução dos seus problemas faz-nos antever a queda próxima desta civilização e a mais que provável regressão a novas formas de tipo medieval ou mais atrasadas ainda. Daí que alguns filósofos da História afirmem que a actual humanidade está às portas de uma Nova Idade Média. Os sinais apontam nesse sentido. O vazio de poder, o derrube das velhas ideologias de esquerda/direita, os separatismos/radicalismos, as “limpezas étnicas” e as demais mazelas que sacodem a vida social dos cidadãos do mundo geram uma crise e um desafio, sem precedentes, para as mentes esclarecidas que, no 3º milénio, se vêem na necessidade de, se não debelar o mal que as agita, pelo menos minorar os seus efeitos.
Do mesmo modo que após a queda do Império Romano surgiu a Idade Média, também a nova Idade Média surgirá - não com as mesmas características daquela que nós conhecemos na História - após a queda irreversível deste modelo de civilização.
Outro sistema virá substituir este. Não é por acaso que, actualmente, alguns políticos da União Europeia já falam e, mais do que isso, já estão a construir afanosamente a sua própria fortaleza: a “fortaleza” Europa. Outras fortalezas, de dimensões mais pequenas, se erguerão em breve noutros cantos do globo. Caiu o muro de Berlim, mas outros muros se levantarão.” – Eduardo Amarante
in "PORTUGAL - A MISSÃO QUE FALTA CUMPRIR", Eduardo Amarante / Rainer Daehnhardt

PERIGO: A MORTE DA RAZÃO

“São inegáveis os perigos que se produzem quando um povo atravessa um período de desculturalização massiva. Vemos através dos exemplos que a História nos dá que este é um fenómeno cíclico e geralmente de consequências mais ou menos dolorosas e, não raras vezes, gera movimentos fanáticos das massas que, invariavelmente, são brutais e inconsistentes, sempre de resultados nefastos.
Estes movimentos, conduzidos por um ou mais líderes sem escrúpulos, cheios de ânsia de poder e de opressão sobre os demais, e hábeis na manipulação psicológica das massas, caracterizam-se pela exaltação do ódio, da inveja e da contestação nestas últimas e estão impregnados de violência e de destruição.
A arma utilizada por estes líderes de um mundo material e ateu é, precisamente, a aniquilação do senso comum natural, presente em todos os homens, e a desculturalização geral dos indivíduos segundo planos, aliás, muito bem orquestrados. Esta desculturalização funda-se numa desagregação gradual dos índices de informação, de conhecimento, de valores morais e sociais e, sobretudo, numa crescente falta de convívio e de diálogo entre os homens e Deus. Para tomarmos consciência disto, bastaria lermos friamente e sem preconceitos sobre pretensas oposições de “direita” e “esquerda” (clichés muito utilizados) que fazem parte de um plano que Lenine escreveu nos inícios do século XX para a penetração ideológica comunista no Ocidente. Este plano tinha como base a eliminação progressiva dos valores como Deus, a Pátria, a Família e o culto aos antepassados.
Efectivamente, as frases estereotipadas e sem conteúdo, mas bem sonantes, as promessas irrealizáveis e a lavagem ao cérebro através de repetições sucessivas sobre pretensas “conquistas”, como a democracia, a liberdade, a igualdade, o direito ao trabalho e ao ensino, etc., produzem sempre um efeito hipnotizante nas massas, que se vêem docilmente envolvidas neste jogo de vocábulos que não entendem. A arte deste aparelho invisível, que possui de facto as rédeas do poder, utilizando as massas para os seus fins pessoais de poder e lucro, consiste precisamente em fazer pensar ao povo que sabe e entende e que tem o direito de exprimir a sua opinião...” – Eduardo Amarante

in "PORTUGAL - A MISSÃO QUE FALTA CUMPRIR", Eduardo Amarante / Rainer Daehnhardt

INSATISFAÇÃO...


"A característica insatisfação do Português resulta de ainda não ter cumprido em pleno algo a que está destinado, de ter deixado o trabalho inacabado. O desânimo não é mais do que o estado de alma que experimenta nos momentos de crise anímica profunda, pela ausência de ideais superiores, sentindo então um vazio de motivações, aliado a um descontentamento em relação a si próprio, por não se sentir capaz, no momento, de abraçar o destino para que foi forjado. Porém, o Português não pode, porque está estigmatizado, viver sem a presença, real ou imaginária, do Mito do Quinto Império, gravado a fogo nas Cinco Quinas da Bandeira Nacional.
Recordando nós que o mito é um relato que contém uma verdade, o Quinto Império é uma realidade a ser cumprida e essa é uma verdade que constitui algo de profundamente atávico no inconsciente colectivo do povo português. Isto quer dizer que o Português - aquele que ama e sente a sua pátria e se identifica com os seus antepassados históricos e míticos -, quer queira, quer não, tem o estigma do Quinto Império e no seu subconsciente sente-se directamente comprometido com a sua realização." - Eduardo Amarante

LANÇAR SEMENTES À TERRA PARA CUMPRIR A MISSÃO…



"Lançar à terra sementes para o futuro em tempo tão adverso quanto este em que vivemos, não é tarefa fácil, pois, hoje, e à semelhança do que aconteceu em outras épocas do passado, existem forças que impelem e lançam os seres humanos (e, por inerência, as nações) para várias direcções, perdendo-se, momentaneamente, o objectivo anteriormente traçado. É o desvario e cada qual tenta remediar o prejuízo da melhor maneira que pode e sabe. A este propósito lembro um trecho de Fernando Pessoa que diz o seguinte:
“Uma nação, em qualquer período, é três coisas: a primeira é uma relação com o passado; a segunda uma relação com o presente, nacional e estrangeiro; a terceira, uma direcção para o futuro. Assim, em todos os períodos, há forças que tendem a manter o que está, forças que tendem a adaptar o que existe às condições presentes, e forças que tendem a dirigir o presente para um norte previsto, visionado no futuro. Não se trata aqui de partidos políticos, mas de íntimas forças nacionais”.
Que forças são essas que nos projectam de um lado para o outro e confundem o nosso ponto de orientação? Se umas são do foro colectivo do povo, como sejam as nossas individualidades e identidades próprias, outras, porém, mais recentes (e talvez não tanto), são de outro tipo, visto serem importadas do exterior, imbuídas de elementos estranhos e totalmente alheios às nossas milenares tradições, que nos transpõem para outra realidade que nos é desconhecida. É o novo desafio, sem dúvida ameaçador, que se apresenta no nosso dia a dia e nos lança para uma nova aventura: a de sempre (re)descobrir-se como povo que é, com capacidade para conseguir levantar-se e renovar-se a cada momento na resolução dos problemas mais difíceis. E, neste caso muito concreto, o futuro para nós, como povo português, com uma identidade muito própria, é saber qual a possibilidade de realizar a almejada 3ª missão de Portugal no mundo.
Será possível que, com o desconcerto que vemos espalhar-se pelo mundo actual, Portugal possa pretender cumprir a missão que alimenta a alma dos poucos lusos que ainda lutam e resistem aos novos ventos de um mundo globalizante? Esta é uma pergunta que várias pessoas colocam e cuja resposta foi, de facto, o maior desafio que alguma vez me foi colocado, pois a pergunta vive oculta e pulsa no interior de cada português, aguardando a resposta que o faça vibrar, sonhar."
Eduardo Amarante

A LENDA DOS CHEROKEE



Conhecem a lenda dos índios Cherokee sobre o rito de de passagem da juventude?
O pai leva o filho para a floresta, de olhos vendados, e deixa-o sozinho. Ele é obrigado a sentar-se no tronco de uma árvore durante toda a noite e não remover a venda até os raios do sol brilharem pela manhã. Não pode gritar nem pedir socorro a ninguém. Só após ter sobrevivido à noite, é que se transforma num homem.
Ele não pode contar aos outros meninos a sua experiência, porque cada jovem deve ser entronizado individualmente na sua própria masculinidade.
O menino estava naturalmente apavorado. Ele podia ouvir todos os tipos de ruídos, animais selvagens à sua volta. Talvez até mesmo alguns humanos a querer fazer-lhe mal. O vento soprava a relva e a terra, e sacudiu o tronco onde estava sentado, mas ele permaneceu impassível, sem nunca retirar a venda. Era a única maneira de se poder tornar um homem!
Finalmente, depois de uma noite horrível, o sol apareceu e o menino tirou a venda dos olhos. Foi então que viu o pai sentado no tronco a seu lado. Ele tinha estado ali a noite inteira, protegendo o seu filho do perigo.
Nós também nunca estamos sozinhos. Mesmo quando não sabemos, Deus está a olhar por nós, sentado no tronco ao nosso lado.
LEMBRE-SE SEMPRE: Só porque não podemos ver Deus, isso não significa que ele não esteja lá.