HÁ QUE RESGATAR OS NOSSOS SÍMBOLOS!



Se o sistema que hoje vivemos fosse bom;
se todos cumprissem bem o seu papel e as suas responsabilidades;
se houvesse de facto justiça, concórdia e oportunidades iguais para todos;
se não faltasse a moral nem uma espiritualidade viva… que recear do amanhã?!
Só reclama pão quem tem fome;
só reclama ordem quem se sente ameaçado;
só reclama espiritualidade quem não a encontra onde a esperaria encontrar.
Receia-se o futuro porque se fracassou e criam-se bodes expiatórios para ocultar o próprio fracasso.
Que receiam os Velhos do Restelo? O passado longínquo que fez grande a nação que é hoje Portugal. Os heróis da nacionalidade, os génios da política estratégica de então. Receiam, sobretudo, os filhos de Luso, aquela raça guerreira que não tinha medo de combater contra números desproporcionados de exércitos.


Actualmente, os nossos símbolos sagrados estão enterrados pela arte e o engenho das forças das trevas que apagam a identidade do povo. Há que resgatar os nossos símbolos! – Eduardo Amarante

SER PORTUGUÊS




Nasci na invicta cidade do Porto na já distante década de 50 no seio de uma família burguesa portuense. Meu pai era o único garante do sustento de uma casa onde viviam os meus pais, os meus 3 irmãos e eu, o meu avô paterno e tínhamos duas criadas, uma mulher-a-dias e costureira que providenciavam as nossas necessidades. Nada nos faltava: frequentávamos os melhores colégios do Porto e o Verão, ou passava em alguma casa de campo ou acompanhava a minha mãe às termas. Eram experiências enriquecedoras, pois se no primeiro caso tomava contacto estreito com a Natureza, as gentes do campo, os seus costumes e tradições, no segundo permitia-me conhecer o outro lado do homem, as suas doenças, a dor, a saúde, ou a falta dela, e os benefícios das terapias naturais. Tive uma infância e adolescência feliz, orientada por uma educação sólida dentro dos preceitos éticos e morais, pautada por uma certa rigidez, mais disciplinar, transmitida pela costela alemã de minha mãe. Porém, chegados os 17 anos algo mudou, algo perturbava-me, precisava de respostas que não encontrava sobre o papel que o mundo, o meu país, reservava para mim: “quem sou eu, de onde venho e para onde vou?” Estive uma semana em silêncio e não falava com ninguém, nem com a família. Meu pai mostrava-se preocupado e, uma vez, interpelando-me a sós com paciência e compreensão, percebeu o que se passava. Propôs-me que conhecesse o mundo para além dos Pirenéus. Naquele tempo muitos outros estavam a fazê-lo, saltavam a fronteira, inclusivamente amigos. E foi assim que, aos meus 18 anos feitos (1971), embarquei na aventura mais perigosa, na mais alucinante viagem de conhecer o mundo para além deste rectângulo; no fundo, conhecer-me a mim próprio, como português no mundo. Era a vontade de descobrir novos lugares, novas gentes, outros costumes, outras religiões… uma panóplia de emoções e sentimentos com que se constrói o nosso Ser face ao desconhecido. Conheci e vivi em Paris, Lyon (onde frequentei a universidade), Bruxelas Amesterdão, Antuérpia… tomando contacto com realidades e vidas nunca sonhadas, experimentando muitos dos benefícios, mas também malefícios de um progresso e liberdade tão almejados pelas gentes deste lado dos Pirenéus. Foi em Lyon que, com 19 anos, abracei um projecto que viria a alargar mais os meus horizontes: a Nova Acrópole, presente em mais de 50 países diferentes; de dirigente em Paris fui convidado pouco tempo depois, pelo fundador internacional Prof. Jorge Livraga, a abrir uma secção em Portugal. E assim aconteceu em Agosto de 1979. Mas os tempos mudam e o mesmo acontece com a vontade dos homens e, para mim, este projecto sucumbiu poucos anos antes do limiar do ano 2000. No entanto, não desejaria deixar de realçar o quanto foi importante para mim, durante esses largos anos, ter encontrado homens e mulheres que muito me enriqueceram como ser humano e como Português. Um desses homens foi Rainer Daehnhardt. Aquando da visita à exposição nas Amoreiras Lusitanos – Quem Somos organizada por Rainer Daehnhardt, em 1988, tive o privilégio de conhecer um grande português de origem luso-alemã que me tocou profundamente com o seu sentir e amor a Portugal, a ponto de se estabelecer desde então um respeito e uma amizade que perduram todavia. Assim, enquanto director da Nova Acrópole publiquei, na década de 90, vários trabalhos e livros de Rainer Daehnhardt sobre a temática da História de Portugal e os feitos dos seus heróis, que tiveram um forte e positivo impacto na opinião pública. Posso afirmar que, sem exagero, desde essa altura os portugueses ao tomarem conhecimento de alguns aspectos que desconheciam da nossa história, nomeadamente com as obras que tanto sucesso tiveram Páginas Secretas da História de Portugal, Missão Templária nos Descobrimentos, Homens, Espadas e Tomates, Mulheres de Armas e Coragem etc. se consciencializaram da sua importância na história e no papel que tiveram e têm no futuro da humanidade. Rainer Daehnhardt, nascido em 1941 em Viena de Áustria, em plena 2ª Guerra Mundial, sentiu na pele os horrores dos desvarios humanos, o que o levou, mais tarde, a tornar-se um dos maiores especialistas a nível mundial de armas antigas como meio de compreender os móbiles que conduzem o ser humano na sua capacidade quer de destruir, quer de construir. Descendente de uma família de diplomatas alemães radicados em Portugal desde 1706, Rainer Daehnhardt tem ascendência materna portuguesa, bem como cinco filhos nascidos em território luso. O seu amor por Portugal revelou-se cedo, identificando-se plenamente com o gene luso, no que ele tem de heroísmo, abnegação, capacidade de improviso, espírito de tolerância e sentido universalista, no seu entender, único no mundo. Estudou a fundo a nossa História, reunindo para tal um acervo documental notável, a que as futuras gerações terão acesso graças ao recém-fundado Museu Luso-Alemão. Como filósofo da História anteviu nas décadas de oitenta e noventa, com base em inúmera informação a que teve acesso, bem como à sua percepção do encadeamento natural dos factos históricos, a cruenta realidade dos nossos dias. Assim, ao lermos os capítulos deste livro, a maioria deles escritos há mais de 15 anos, consciencializamo-nos da actualidade dos mesmos e de quanta razão tinha o Autor, que nos vinha alertando para o que está, HOJE, a acontecer. A mensagem que Rainer Daehnhardt aqui nos deixa é que há que preservar a identidade portuguesa como garante da nossa sobrevivência como povo e da nossa missão no futuro. Tal como nos diz o Autor, “a fim de acordar a nossa juventude para a realidade do nosso passado, resolvi escrever este e outros livros relacionados com o tema, cumprindo assim a parte que me cabe, no campo da minha especialização, para que futuras gerações possam ter acesso à identidade portuguesa.” Ser português é um estado de alma que não se limita a uma geografia… é uma forma de SER e de ESTAR consigo próprio, na relação com a família, com os amigos, com o país e, numa forma mais ampla e universalista, no contacto com os outros povos. Porém, existe um outro lado mais nebuloso do Ser Português que, de quando em quando, se revela em forma de velhos do restelo que coarctam os mais audazes; é como se existissem dois tipos de portugueses com destinos diferentes, determinados na frase sibilina de que em Portugal nasce-se ou por castigo ou por missão. Na sequência do pensamento de Fernando Pessoa, Rainer Daehnhardt diz que existem dois tipos de portugueses. “Uma parte da população auto-intitula-se o primo pobre dos europeus, que vive do lado de cá dos Pirenéus, mas como é um primo julga ter um certo direito em receber alguma riqueza que se criou no centro da Europa. Assim, andamos de mãos estendidas à espera que nos atirem algumas migalhas, que nos mandem algum dinheiro para cá. Quem vive assim nasceu como escravo, para escravo e escravo será. A outra parte da população portuguesa não se identifica com esta forma de ser português. Identifica-se com o português que eu chamo PORTUGUÊS GLOBAL. São homens e mulheres que têm orgulho da sua identidade, que vêem a sua ascendência não só centenária portuguesa, mas milenária lusitana e que orgulhosamente se afirmam em qualquer parte do globo com a sua identidade portuguesa.” Os portugueses possuem dois sentimentos antagónicos: de serem herdeiros ou descendentes de um passado histórico glorioso e, simultaneamente, de estarem atolados desde há séculos num ambiente de mediocridade a vários níveis. Daí os poucos altos e os muitos baixos (em termos de auto-estima) em que nos encontramos quando vivemos, por necessidade ou conformismo, alapados no pequeno rectângulo do ocidente europeu. Só que o gene luso fala mais alto do que os murmúrios amargos do português mediano e conformado. E é este gene luso que, sentindo-se atrofiado perante tão redutoras perspectivas de vida e horizontes tão curtos, reage heroicamente, lançando-se na grande aventura da descoberta de novas terras e oportunidades, fazendo jus à memória dos seus ilustres antepassados. O Português global e universalista tem a capacidade inata de integrar e de se integrar no meio que o rodeia de forma pacífica e tolerante, desempenhando, muitas vezes inconscientemente, uma missão de fraternidade e solidariedade, dentro do espírito do chamado Quinto Império a cumprir. Apercebi-me que o “Ser Português” não se conforma com horizontes estreitos. Nesse sentido, quis, já em idade madura, ver “Portugal de fora”, ou melhor dito, abraçar o Portugal Global, exilando-me voluntária e temporariamente no Brasil, percorrendo-o de norte a sul, para aí poder sentir o palpitar da Lusitanidade naqueles que, estando distantes da Pátria-Mãe, não deixam de ter orgulho em falar e, diria mesmo, em ostentar o nome de Portugal. E isso porque se identificam com os valores, a história e as tradições do nosso País. Têm uma percepção grandiosa do mesmo. À distância tem-se uma visão mais global e unificadora. As pequenas coisas, os actos mesquinhos reduzem-se a pouco mais que nada; pelo contrário, as grandes coisas, os grandes feitos, as qualidades intrínsecas ao povo sobressaem como fachos luminosos que incendeiam o nosso ser e elevam até ao infinito os nossos corações (outro símbolo de Portugal) e a nossa auto-estima. O gene luso, espalhado pelo mundo, ao contrário do que sucede no Portugal europeu, está mais vivo e compreende melhor o que é a Pátria e a missão a ela inerente, talvez devido à dor da ausência que desperta sentimentos olvidados e à própria “fibra” que caracteriza os pioneiros e os aventureiros do mais além... A capacidade de união da diáspora lusa é natural e bem maior do que na Metrópole e o seu entusiasmo e convicção aguardam o grande Apelo que terá de partir da Pátria-Mãe. Só falta soar o clarim! - Eduardo Amarante


O REGRESSO AO SAGRADO

"Falar sobre o Sagrado nos dias de hoje não é tarefa fácil, porquanto vivemos numa sociedade fortemente comercialista que tudo consome, até mesmo a literatura mais profundamente religiosa e espiritual. Tudo é pretexto para se fazer comércio. Quando assim acontece resulta difícil a verdadeira comunicação entre as pessoas, pois a margem é perigosamente estreita para se falar daquilo que é essencialmente importante: a nossa identidade humana, o que somos, o que queremos e para onde vamos.
A clássica atitude filosófica do espanto, da humildade, em suma, do amor à sabedoria, são virtudes hoje praticamente descartáveis. Porém, são estas mesmas virtudes primárias que nos possibilitam o retorno às Coisas Sagradas. Há que ter a consciência de que o homem sem a dimensão do sagrado perde a sua própria identidade de Ser." - Eduardo Amarante




EM DEFESA DA NOSSA IDENTIDADE



"As gerações de hoje deverão ter a coragem, a determinação necessária para defenderem o seu património histórico, a sua identidade, a sua enriquecedora diferença em relação a outras culturas, a outras identidades, para que no futuro todos possam beneficiar de uma autêntica e salutar convivência mútua, respeito e verdadeira fraternidade. Apesar do mito actual, recém-formado, do mundo global (que em termos práticos é a desagregação da identidade das nações), é necessário engenho e coragem política para lutar com honra e verdade contra quem quiser submergir qualquer nação que seja na teia de interesses inconfessáveis que anulam no ser humano a sua dimensão histórica e espiritual." - Eduardo Amarante

OS TEMPOS QUE AÍ VÊM...


“Os ideais de progresso material do século passado falharam.

O progresso actualmente está em regressão: fecham-se fábricas, aumenta o número de desempregados, escasseiam a energia e as matérias-primas; as habitações (muitas por estarem com preços inflaccionários), as escolas, os hospitais, etc., não acompanham o ritmo de crescimento demográfico; as condições de vida degradam-se paulatinamente; o aumento da delinquência torna-nos, dia para dia, mais inseguros e desconfiados; o espectro de uma guerra nuclear obriga alguns governos, e também muitos particulares, a gastarem avultadas somas de dinheiro na construção de abrigos, quantias essas que, se não se alimentassem as guerras, poderiam muito bem ser canalizadas para o combate efectivo à fome e à miséria humanas.
Assim, a crise do sistema é total, estando este caduco porque se revelou incapaz de resolver os problemas básicos da existência humana. O suporte para a sobrevivência humana falhou. Em vão se dilapidaram as energias e as potencialidades herdadas. A insegurança, o descrédito e a incapacidade das pessoas para a resolução dos seus problemas faz-nos antever a queda próxima desta civilização e a mais que provável regressão a novas formas de tipo medieval ou mais atrasadas ainda. Daí que alguns filósofos da História afirmem que a actual humanidade está às portas de uma Nova Idade Média. Os sinais apontam nesse sentido. O vazio de poder, o derrube das velhas ideologias de esquerda/direita, os separatismos/radicalismos, as “limpezas étnicas” e as demais mazelas que sacodem a vida social dos cidadãos do mundo geram uma crise e um desafio, sem precedentes, para as mentes esclarecidas que, no 3º milénio, se vêem na necessidade de, se não debelar o mal que as agita, pelo menos minorar os seus efeitos.
Do mesmo modo que após a queda do Império Romano surgiu a Idade Média, também a nova Idade Média surgirá - não com as mesmas características daquela que nós conhecemos na História - após a queda irreversível deste modelo de civilização.
Outro sistema virá substituir este. Não é por acaso que, actualmente, alguns políticos da União Europeia já falam e, mais do que isso, já estão a construir afanosamente a sua própria fortaleza: a “fortaleza” Europa. Outras fortalezas, de dimensões mais pequenas, se erguerão em breve noutros cantos do globo. Caiu o muro de Berlim, mas outros muros se levantarão.” – Eduardo Amarante
in "PORTUGAL - A MISSÃO QUE FALTA CUMPRIR", Eduardo Amarante / Rainer Daehnhardt

PERIGO: A MORTE DA RAZÃO

“São inegáveis os perigos que se produzem quando um povo atravessa um período de desculturalização massiva. Vemos através dos exemplos que a História nos dá que este é um fenómeno cíclico e geralmente de consequências mais ou menos dolorosas e, não raras vezes, gera movimentos fanáticos das massas que, invariavelmente, são brutais e inconsistentes, sempre de resultados nefastos.
Estes movimentos, conduzidos por um ou mais líderes sem escrúpulos, cheios de ânsia de poder e de opressão sobre os demais, e hábeis na manipulação psicológica das massas, caracterizam-se pela exaltação do ódio, da inveja e da contestação nestas últimas e estão impregnados de violência e de destruição.
A arma utilizada por estes líderes de um mundo material e ateu é, precisamente, a aniquilação do senso comum natural, presente em todos os homens, e a desculturalização geral dos indivíduos segundo planos, aliás, muito bem orquestrados. Esta desculturalização funda-se numa desagregação gradual dos índices de informação, de conhecimento, de valores morais e sociais e, sobretudo, numa crescente falta de convívio e de diálogo entre os homens e Deus. Para tomarmos consciência disto, bastaria lermos friamente e sem preconceitos sobre pretensas oposições de “direita” e “esquerda” (clichés muito utilizados) que fazem parte de um plano que Lenine escreveu nos inícios do século XX para a penetração ideológica comunista no Ocidente. Este plano tinha como base a eliminação progressiva dos valores como Deus, a Pátria, a Família e o culto aos antepassados.
Efectivamente, as frases estereotipadas e sem conteúdo, mas bem sonantes, as promessas irrealizáveis e a lavagem ao cérebro através de repetições sucessivas sobre pretensas “conquistas”, como a democracia, a liberdade, a igualdade, o direito ao trabalho e ao ensino, etc., produzem sempre um efeito hipnotizante nas massas, que se vêem docilmente envolvidas neste jogo de vocábulos que não entendem. A arte deste aparelho invisível, que possui de facto as rédeas do poder, utilizando as massas para os seus fins pessoais de poder e lucro, consiste precisamente em fazer pensar ao povo que sabe e entende e que tem o direito de exprimir a sua opinião...” – Eduardo Amarante

in "PORTUGAL - A MISSÃO QUE FALTA CUMPRIR", Eduardo Amarante / Rainer Daehnhardt

INSATISFAÇÃO...


"A característica insatisfação do Português resulta de ainda não ter cumprido em pleno algo a que está destinado, de ter deixado o trabalho inacabado. O desânimo não é mais do que o estado de alma que experimenta nos momentos de crise anímica profunda, pela ausência de ideais superiores, sentindo então um vazio de motivações, aliado a um descontentamento em relação a si próprio, por não se sentir capaz, no momento, de abraçar o destino para que foi forjado. Porém, o Português não pode, porque está estigmatizado, viver sem a presença, real ou imaginária, do Mito do Quinto Império, gravado a fogo nas Cinco Quinas da Bandeira Nacional.
Recordando nós que o mito é um relato que contém uma verdade, o Quinto Império é uma realidade a ser cumprida e essa é uma verdade que constitui algo de profundamente atávico no inconsciente colectivo do povo português. Isto quer dizer que o Português - aquele que ama e sente a sua pátria e se identifica com os seus antepassados históricos e míticos -, quer queira, quer não, tem o estigma do Quinto Império e no seu subconsciente sente-se directamente comprometido com a sua realização." - Eduardo Amarante